A crise hídrica no Estado passou há vários meses. Os reservatórios voltaram a atingir níveis satisfatórios e o fantasma do rodízio no abastecimento foi afastado, pelo menos por ora. No entanto, o costume de se consumir água de forma mais consciente continua, talvez por medo que uma situação semelhante à longa estiagem que atingiu São Paulo retorne ou mesmo porque já faz parte do cotidiano e não tem como ser dissociado.
Até por causa disso mesmo, qualquer notícia referente a desperdício de água e má utilização causa revolta em qualquer um, principalmente quem usa de forma racional e paga em dia sua conta. Não é à toa que a informação trazida na edição de hoje é espantosa. Levantamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostra que desvios na rede causados por ligações irregulares, os chamados "gatos", foram responsáveis pela perda de 40 milhões de litros no Alto Tietê, de janeiro a abril deste ano. Além disso, seis ocorrências envolvendo furto de água encanada são registradas diariamente nas cidades da região atendidas pela Sabesp.
A cultura das ligações clandestinas, infelizmente, é presente em qualquer lugar do País, seja de água, de energia elétrica e até de TV a cabo. E quem pratica esse tipo de delito tem a sensação de que está sendo "esperto", em detrimento do outro, que tem o benefício de um serviço sem precisar pagar por ele. Quando é descoberto, apenas sofre algum tipo de sanção ou responde criminalmente pelo ato se a atuação do Poder Público, da polícia e das empresas envolvidas for de fato veemente. É só por meio de punições exemplares que se inibe esse tipo de conduta por outras pessoas.
Sem contar que a presença e a ação de verdade dos responsáveis que têm poder de agir, severa e drasticamente, também são uma resposta ao contribuinte ou ao cliente que paga em dia pelos serviços e que não quer se tornar vítima da má intenção alheia. Por isso sempre cabe uma campanha, mais do que de conscientização, mas de alerta àqueles potenciais contraventores.
Os dados são referentes ao abastecimento da Sabesp, que apontou para um aumento de 41% no número de ocorrências de furto de água de um quadrimestre para outro, 2015 e 2016, nas regiões Metropolitana e Bragantina. No entanto, também serve de lembrete para as cidades onde atuam autarquias municipais, como Mogi das Cruzes. Certamente, situações semelhantes podem ser encontradas em menor ou maior grau. O Poder Público tem que agir e a população também, denunciando e não fechando os olhos para o problema.