O Dia das Mães é marcado, na grande maioria dos casos, pela união da família e pelo agradecimento por parte dos filhos, seja com um simples abraço ou com um presente de grande valor. Especialmente em 2016, um ano de grandes dificuldades para o Brasil, a data talvez tenha um sabor mais amargo para muita gente.
Primeiro para pais e filhos, que estão tendo dificuldade de encontrar um presente para suas mães e esposas, não apenas pela dúvida no momento da escolha da roupa, sapato ou flor, por exemplo, mas principalmente pela falta de recursos nesse momento. O valor gasto no presente, sem dúvida, teve que ser reduzido neste ano.
De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), apenas 58,6% dos consumidores pretendem presentear as mães, estimativa praticamente igual ao do ano passado (58,5%), mas inferior à média histórica de 64%. 
Apesar de a proporção ser maior para os que têm a intenção de consumir, o que chama a atenção, ainda segundo a entidade, são os motivos que levam os que não pretendem dar presentes e deixar as compras de lado: 13,3% disseram que estão desempregados, ante 4,1% que alegaram o mesmo motivo no ano passado, ou seja, um número três vezes maior. Os que disseram estar sem condições financeiras ou endividados passaram de 38,6% em 2015 para os 51,8% atuais.
Já por parte das mães, os motivos para se preocupar são neste momento maiores do que os para comemorar, em especial por causa dos surtos de doenças que o Brasil enfrenta. As gestantes não conseguem ter uma gravidez tranquila sendo ameaçadas pelo zika vírus, que pode ocasionar microcefalia nos bebês, além da dengue e da gripe H1N1.
O risco de contrair qualquer uma dessas doenças e, no caso de ter uma delas, não ter estrutura e atendimento adequando por parte da rede pública de saúde, assombra as grávidas e as mães em geral, já que as crianças também podem ser grandes vítimas dessas enfermidades que o País já mostrou não ter capacidade de controlar.
O fato é que o amor materno, os cuidados com a saúde e o desejo de trabalhar e conseguir sobreviver à crise financeira em que vivemos precisam ser maiores que todas as dificuldades que hoje o Brasil nos impõe. Não resta dúvida que as mães são capazes de fazer isso e muito mais. São elas que podem ser consideradas o alicerce de uma família, seja ela feliz, endividada ou até fisicamente doente, e é nelas que depositamos a esperança de que o País voltará a crescer e a superar todos os males que assombram nossa população.