Imagine-se assumindo o comando de uma grande empresa, com pouco tempo para se preparar e desconhecendo detalhes do andamento dos processos macro, micro e de cada um de seus departamentos. Por mais que o presidente em exercício seja um político experiente e conheça o Brasil, não era ele, nem sua equipe que estavam no comando. Conhecia indiretamente os fatos, sabia das atividades de cada ministério, secretaria e afins por alto, sem se envolver diretamente. Observava e até participava da relação entre Executivo e Legislativo, como apoio (nos bons tempos), mas sem grandes interferências e decisões.
Agora, o Brasil, em situação delicada, caiu-lhe no colo. Claro que teve algum tempo, desde quando os sinais de afastamento da presidente anterior passaram a ser evidentes, para se preparar, à medida do possível, começando a alinhavar sua macroestrutura, costurando composições, angariando apoios, etc, mas seria impossível, assumindo o comando, arrancar como um Fórmula 1, totalmente ajustado e afinado.
Aparentemente, fez certo, antecipando-se na nomeação de seus ministros e os escolheu de forma correspondente à demanda; agiu de maneira conservadora, focando o respeito e a confiabilidade máxima ao definir a equipe econômica, enfim, parece ter agido bem, consideradas as limitações de tempo de preparo e dificuldades em geral. Agora, é patente que cada ministro, cada líder nomeado para os diversos escalões, queira gastar um tempo para tomar pé do que está acontecendo nos processos sob sua nova responsabilidade.
Para um País que precisa, desesperadamente, produzir, criar empregos, fazer girar recursos, na sofrida economia, não é fácil esperar mais. No entanto, teremos que continuar exercitando a paciência.
Basta observar o burburinho da sexta-feira quando a imprensa divulgou a suspensão do programa Minha Casa Minha Vida. Desde a primeira notícia, logo pela manhã, até o esclarecimento pleno do Ministro Bruno Araújo, foram momentos de verdadeiro desespero para vários envolvidos no setor das incorporações e construções e para os futuros mutuários do programa. Menos mal que o programa continue avançando, ainda que com limitações claras, mas teremos que continuar agindo nestes dias, revestidos de serenidade para enfrentar as dificuldades na arrancada do novo governo, sem sabotá-lo e ajudando no que for possível, até que confirmemos a que veio.