Por mais que a sociedade brasileira já tenha sofrido com a crise política e suas desastrosas consequências para a crise econômica instalada no País, acredito que ainda estamos muito distante de seu fim.
O pedido de impeachment da presidente Dilma assinado por Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal foi aceito pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, passou pelo crivo da comissão do impeachment daquela casa e depois foi objeto de apreciação do plenário, onde obteve 367 votos pela admissibilidade e foi encaminhado ao Senado.
No Senado, o impedimento da presidente já foi analisado pela comissão do impeachment e o parecer do relator foi aprovado com o placar de 15 a 5, faltando agora a aprovação no plenário por maioria simples dos senadores presentes para que o julgamento da presidente tenha início e ela seja afastada do cargo por até 180 dias, ou definitivamente, caso o Senado aprove seu impeachment por maioria qualificada com o voto de pelo menos 54 senadores. Esse é o provável enredo caso não aconteça nenhuma decisão que altere o curso das coisas.
Nesta segunda-feira, por exemplo, fomos surpreendidos por uma decisão do atual presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que acolhendo um recurso da Advocacia Geral da União (AGU) anulou a decisão tomada pela Câmara em 17 de abril.
É claro que tal decisão deverá ser contestada e, muito provavelmente caro leitor, nesta terça-feira, quando meu artigo for publicado, tal decisão já tenha sido revertida.
De qualquer forma, a decisão indica que o processo continuará sendo objeto de dura disputa política entre oposição e governo, bem como teremos a intensificação da judicialização em torno das decisões sobre o impeachment nas casas legislativas.
Caso a decisão do deputado Waldir Maranhão for acatada pelo senador Renan Calheiros, a oposição deverá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Se a decisão for outra, os governistas é que deverão recorrer ao Supremo.
Portanto, a crise política que contamina a economia do País ainda está longe do fim.