Sempre foi assim, a humanidade, em sua maioria, têm acreditado mais na palavra do homem do que na palavra de Deus. Nos relatos bíblicos, a atuação dos profetas na vida do povo de Israel encontrava sempre resistência por parte da liderança religiosa e política contra aqueles enviados por Deus que anunciavam à nação seus erros e pecados, buscando a reconciliação com Ele pelo arrependimento.
Eles iniciavam sua palavra profética com a chancela da autoridade divina, dizendo "assim diz o Senhor" ou "veio a mim a palavra do Senhor", se obedeciam obtinham a bênção, caso contrário, a maldição de serem derrotados na guerra pelos seus inimigos, tornando-se escravos.
Três causas humanas podem favorecer o desencadear da guerra: ambição desmedida pelo poder, proposital falta de entendimento diplomático bilateral, que impede a conciliação dos interesses em questão, e avaliação limitada da capacidade beligerante do inimigo. Foi o que aconteceu na invasão da Rússia, em 1812, por Napoleão com quase meio milhão de homens; após ser derrotado iniciou o seu retorno à França com seu exército esfarrapado e esfomeado numa longa caminhada onde deixou para trás mais de 80 mil mortos, vencido pelo "general inverno".
O assassinato do herdeiro do trono austríaco e de sua mulher, em 28 de junho de 1914, em Sarajevo, foi o estopim da Primeira Guerra Mundial. Exatamente um mês depois, o império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia. Iniciava-se uma reação em cadeia envolvendo vários países, cada um achando que Deus estava a seu favor.
O paradoxo a relatar da guerra de 1812 com a de 1914 é grande: antigas táticas (cavalaria, batalha campal) colidiam com a nova tecnologia (metralhadora, avião de combate, gás mostarda). Antigas divisas como "Deus conosco!", "em nome da honra" acompanhavam as novas ideologias do social-darwinismo e do nacionalismo.