Encravada no sertão pernambucano, a 531 quilômetros do Recife, a pequena Cabrobó, de 32 mil habitantes, talvez seja uma das cidades mais usadas e abusadas pelo populismo petista.
Lá, o ex Lula garantiu, em 2009, que a transposição das águas do Rio São Francisco estaria concluída em 2012, e Dilma Rousseff reiterou as juras de um futuro redentor em gravações para as campanhas de 2010 e 2014. Na sexta-feira, sem a maquilagem dos programas eleitorais, a presidente repetiu o cenário.
Dilma continua a esbravejar, dizendo-se inocente. Confusa na forma e no conteúdo, bate em uma mesma tecla ou fala disparates. Ou os dois. Tropeça até em ditos populares. Chegou a se atribuir a figura de lixo ao dizer que não vai para "debaixo do tapete".
Em Cabrobó, onde menos de um terço da população tem acesso a água tratada e coleta de esgoto é luxo absoluto, Dilma citou o Água para Todos, programa de desempenho modestíssimo, não só no sertão pernambucano, mas junto aos mais de 30 milhões de brasileiros que não sabem o que é uma torneira.
Especificamente no quesito programas sociais, melhor seria Dilma se calar. De seu governo saíram os maiores cortes de que se tem notícia, obrigatórios depois de uma gastança infinda.
A escolha de Cabrobó para mais uma cerimônia de adeus de Dilma definitivamente não é um acaso. A transposição das águas do São Francisco, sempre prometida para ser entregue no ano seguinte que nunca chega, é uma obra monumental, daquelas que político algum quer que outro coloque a placa. Mesmo que com ela venham superfaturamento, desvios e ladroagens.
Em dezembro, Dilma inaugurou uma das bombas de Cabrobó, mas a cidade ainda não colheu benefício algum. O canal, segundo o jornal Folha de S. Paulo, já tem água, mas ninguém usa. Não existem ligações nem para consumo humano.
Uns poucos bodes se desequilibram para beber a água transposta. Uma figura de linguagem apropriadíssima ao Brasil de hoje.