Mal começou o governo do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) e já surgem protestos de todos os lados. Alguns muito pontuais e outros quase irrisórios, é verdade, mas não são nem um pouco inesperados. Em se tratando de democracia, da mesma forma como nas manifestações Brasil afora contra a presidente afastada Dilma Rousseff (PT), ainda bem que eles ocorrem. Até mesmo porque é uma forma de pontuar que a simples mudança de gestão por força do prosseguimento do processo de impeachment não seria a solução imediata para resolver os graves problemas que o País enfrenta. Pode até ser o começo, mas há quem nem mesmo aceite a possibilidade.
Ontem artistas se manifestaram no Rio de Janeiro contra o encerramento do Ministério da Cultura. Anteontem à noite houve focos isolados de panelaço durante a transmissão da entrevista de Temer ao Fantástico, da Rede Globo, enquanto durante o dia foi realizado um protesto na Avenida Paulista, que resultou até em confronto entre defensores de Dilma e pessoas pró-impeachment.
O fato é que Temer e sua equipe terão até seis meses para comandar o Brasil. Praticamente impossível reverter o quadro atual de pronto, mas, ao mesmo tempo, será uma oportunidade e tanto para começar a implementar medidas que poderão repercutir a médio e longo prazos. Será a chance de mostrar que há uma outra maneira de se governar e que pode dar certo.
Ao contrário do que muitos propagam, Dilma foi democraticamente eleita, porém Temer também, já que ambos compuseram a chapa majoritária e os dois receberam os votos que os elegeram duas vezes. Da mesma forma, Dilma foi, sim, republicanamente afastada, assim como Temer foi legalmente conduzido à condição de interino. E se o julgamento da petista acabar em condenação, perderá o mandato, ao passo que se resultar na absolvição, retomará o governo.
Sendo de um lado ou de outro, ninguém dará o braço a torcer. Temer pode criar uma série de melhorias e conquistar avanços, mas nada estará bom para quem se coloca agora como oposição. O clima de animosidade que se tinha antes do início do processo de impeachment continuou e pode chegar a escalas muito maiores. Será inevitável, mas que até a decisão final sobre o futuro de Dilma o País consiga se sustentar de maneira que a população pare de sofrer com tanto desemprego, alta nos preços e falta de esperança. Depois, com um ou com outro, o que se aguarda é um vislumbre de calmaria e de um futuro um pouco melhor.