O senador Aécio Neves (PSDB-MG) se reuniu ontem com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) com quem disse ter conversado sobre uma agenda emergencial para o País, a ser adotada caso o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) seja aprovado pelo Senado, o que implicaria o afastamento imediato dela do cargo por 180 dias.
Presidente nacional do PSDB, o parlamentar afirmou preferir que qualquer apoio de seu partido a um eventual governo Temer se restrinja ao Congresso Nacional, mas não descartou a possibilidade de que quadros tucanos ocupem ministérios, caso o vice se torne presidente com o afastamento de Dilma.
"Se ele [Temer] procurar cargos no PSDB, reitero que não vamos criar dificuldades para que forme um governo de qualidade, mas não condicionamos, em nenhum momento, o apoio a essa agenda emergencial para o Brasil a uma participação no governo", disse Aécio. "Não vamos vetar nomes", disse.
Lideranças tucanas, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), já manifestaram publicamente que não se opõem a que quadros do partido componham um eventual governo do PMDB. O senador José Serra (PSDB-SP) é um dos cotados para assumir um ministério. As declarações foram dadas por Aécio após ele deixar uma reunião com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), na residência oficial do presidente do Senado, em Brasília.
O ex-governador de Minas Gerais negou ter debatido a possibilidade de novas eleições. Para o tucano, neste momento não há via constitucional que permita a volta às urnas, uma vez que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não deve julgar o processo de impugnação da chapa Dilma-Temer antes do ano que vem.