Muitas vezes calados, gostam de permanecer com os olhos fixados em algum ponto indetectável pelos colegas de classe, preferem brincar sozinhos, quase não falam e fazem gestos diferentes. Estes são alguns dos comportamentos comuns em portadores do autismo e, segundo quem convive com os portadores dessa condição, tais características acabam escondendo as suas habilidades criativas e intelectuais. Para ajudar a conscientizar a população sobre o autismo, um transtorno no desenvolvimento do cérebro, e informar as pessoas a como lidar com a doença, no dia 2 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. E, na edição de hoje, o Diarinho aborda com os seus leitores esse importante assunto.
Potenciais que devem ser explorados
De acordo com a diretora da Escola Municipal de Educação Especial (Emesp) Profª Jovita Franco Arouche de Mogi das Cruzes, Juliana Oliveira Mattos, é preciso ampliar o olhar das pessoas em relação ao o que é o autismo, comportamentos característicos do portador dessa condição, como auxiliar os familiares e de como estimular essa criança, que, muitas vezes, é julgada. “ A gente costuma dizer que, quanto mais informação, menos preconceito a gente vai ter. Alguns traços característicos são mais perceptíveis no autista, por exemplo, muitos deles são quietos ou apresentam falas fora do contexto. Eles possuem dificuldade de manter contato visual, não demonstram ter medo do perigo e estão sempre em rotina. Além disso, por terem dificuldades de conversar, utilizam objetos como instrumentos para se expressarem. Alguns deles podem apresentar comportamento agressivo. Aparentemente são crianças que não gostam de muito carinho”, explicou.
Para a diretora, ao contrário do que muitos pensam, o autista precisa frequentar o ensino regular com as demais crianças, pois é por meio dessa experiencia que ele irá perceber o quanto é bacana ter um coleguinha. “Apesar do acesso aos atendimentos especiais oferecidos pelo município, o autista deve frequentar o ensino regular para ter a aproximação com as outras crianças. Temos que diminuir o preconceito que existe em relação a essa condição”. Juliana ainda complementa: “Essas crianças vão crescer tendo uma visão diferente dos adultos, passando a entender, então, que isso é normal. Por isso a necessidade dessa interação”.
Talentos escondidos
Crianças com autismo podem desenvolver talentos específicos em determinadas áreas do conhecimento, desde que essas habilidades sejam estimuladas com acompanhamento adequado. “A gente tem por hábito utilizar o interesse do aluno para realizar as atividades. É uma maneira também de se aproximar dele”, comentou Juliana.
“É importante que os familiares do autista procurem orientação, busquem apoio profissional e entendam que, com o estímulo correto, eles conseguem se desenvolver muito mais. É preciso ter persistência e paciência e sempre acreditar. É uma luta árdua, mas que gera bons resultados”, orientou.
Para quem tiver interesse em mais informações sobre o assunto, a Emesp de Mogi, que atende alunos da rede municipal de ensino da cidade, fica na rua José de Carlo, 85, no bairro Vila Lavínia. O telefone para contato é o 4727-1800.