A realização de exames preventivos no momento adequado, aliada à adoção de hábitos saudáveis de vida, pode reduzir significativamente o risco de câncer e aumentar as chances de diagnóstico precoce. O alerta é do oncologista Dr. Rafael Zapata, do Centro Oncológico Mogi das Cruzes, que reforça a importância da prevenção como principal estratégia para mudar o prognóstico da doença. A estimativa, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil em cada ano do triênio 2026-2028. Entre todos os cânceres, são 518 mil casos/ano excluídos os tumores de pele não melanoma.

O câncer segue como um dos maiores desafios da saúde pública, mas a informação e o acompanhamento médico regular podem fazer a diferença. Segundo o Dr. Rafael Zapata, exames preventivos permitem identificar alterações ainda em fases iniciais ou até mesmo evitar o desenvolvimento da doença. “Quando diagnosticado precocemente, o câncer tem muito mais chances de tratamento eficaz, com impacto direto na qualidade e na expectativa de vida do paciente”, explica. 

Para as mulheres, alguns exames são considerados essenciais ao longo da vida. A mamografia, idealmente indicada a partir dos 40 anos de idade, é fundamental para o rastreamento do câncer de mama. Já o exame de Papanicolau deve ser realizado a partir do início da vida sexual, sendo uma das principais ferramentas de prevenção do câncer do colo do útero.  

No caso dos homens, a prevenção do câncer de próstata deve começar, em geral, a partir dos 50 anos, com avaliação médica e exames como o PSA e o toque retal, podendo ser indicada mais cedo, a partir dos 45 anos, para quem possui histórico familiar ou fatores de risco. 

Outro exame importante é a colonoscopia, recomendada a partir dos 50 anos, tanto para mulheres quanto para homens, com o objetivo de detectar precocemente o câncer colorretal. 

O oncologista também chama atenção para grupos com fatores de risco específicos. Pessoas com alta carga tabágica contam atualmente com a tomografia computadorizada de baixa dose, um exame preventivo indicado para o rastreamento do câncer de pulmão. “Esse exame permite identificar a doença em fases muito iniciais e, em alguns casos, até prevenir a progressão do câncer”, destaca o especialista. 

“O diagnóstico precoce muda histórias. Muitas vezes, conseguimos evitar que a doença avance ou oferecer tratamentos menos agressivos, com melhores resultados”, reforça Dr. Rafael Zapata. 

Apesar da relevância dos exames, o oncologista enfatiza que a prevenção começa muito antes. “Ainda mais importante do que os exames é manter uma vida saudável”, afirma. Uma alimentação equilibrada, com consumo regular de frutas, verduras e vegetais, associada à prática de atividade física, tem papel fundamental na redução do risco de câncer. 

De acordo com o Dr. Rafael Zapata, cerca de 60% dos casos de câncer estão relacionados aos hábitos de vida, incluindo alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas. “São fatores que podem ser modificados. Pequenas mudanças no dia a dia podem representar uma grande diferença ao longo dos anos”, ressalta. 

Para o oncologista do Centro Oncológico, a prevenção deve ser encarada como um compromisso contínuo com a saúde. “Exames regulares, acompanhamento médico e escolhas mais saudáveis têm o poder de transformar vidas. Cuidar da saúde hoje é investir no futuro”, conclui o Dr. Rafael Zapata.

Quadro 1 – Exames preventivos 

Mamografia: idealmente a partir dos 40 anos ou menos quando o médico entender que há necessidade

Papanicolau: após o início da vida sexual

PSA e exame de toque retal: homens a partir dos 50 anos ou menos quando o médico entender que há necessidade

Colonoscopia: a partir dos 50 anos

Tomografia de baixa dose do pulmão: indicada para pessoas com alta carga tabágica

Quadro 2 – Relação entre hábitos de vida e câncer

Aproximadamente 60% dos casos têm relação com hábitos de vida

Principais fatores associados:

Tabagismo

Consumo de álcool

Alimentação inadequada

Falta de atividade física

Quadro 3  - Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil (2026–2028)

Tipo de Câncer / % da Incidência (excluindo pele não melanoma)  / Grupo Populacional

Câncer de mama 30,0% Mulheres
Câncer de cólon e reto 10,5% Homens e mulheres
Câncer de colo do útero 7,4% Mulheres
Câncer de pulmão 6,4% Homens e mulheres
Câncer de tireoide 5,1% Mulheres

Fonte: INCA — Estimativa 2026–2028