Ninguém no mundo estudou e escreveu tanto sobre o capitalismo como Karl Marx. Sua obra mais conhecida “o capital (crítica da economia política)” tem mais de 2.500 páginas, distribuídas em 6 volumes. 

Um dos conceitos mais bem desenvolvido por ele em toda a sua obra é, sem sombra de dúvidas, o conceito “mercadoria”. Segundo Marx, mercadoria é todo e qualquer produto do trabalho humano, que possui um valor de uso e um valor de troca.

Para ele, o valor de uso refere-se à capacidade de um produto do trabalho humano de satisfazer determinada necessidade humana. Ou seja, está relacionado à utilidade que cada produto do trabalho humano tem para os seres humanos. 

No caso do valor de troca das mercadoria, Marx é também contundente. O que determina o valor de troca de uma mercadoria é o trabalho humano abstrato, espécie diferente de trabalho humano, que se mede não pela utilidade criada, mas pelo tempo gasto na produção de dado valor de uso. É o tempo de trabalho humano gasto para a produção daquele bem. 

Um sapateiro emprega um tanto de trabalho para produzir um par de sapatos. Mas o valor de troca do par de sapatos não corresponde só o tempo de trabalho do sapateiro. Para produzir o par de sapatos, ele usa utensílios que foram produzidos ou coletados por outros trabalhadores. O couro, a cola, o barbante, a borracha etc. Portanto, o valor de troca de cada produto do trabalho humano incorpora todo o trabalho humano da cadeia produtiva daquele produto.

Quando eu desenvolvia esse conteúdo para os alunos da disciplina de Sociologia, costuma dizer que, por mais que algum produto do trabalho humano pudesse, eventualmente suprir alguma diferentes necessidades humanas, ainda assim o seu valor de uso é específico. 

Eu dizia, por exemplo, que qualquer pessoa poderia usar uma cadeira para subir nela e trocar uma lâmpada queimada. Mas ninguém iria a um supermercado ou loja para comprar uma cadeira para trocar uma lâmpada queimada. Assim como ninguém compra um chinelo para matar baratas. Mas às vezes os utiliza com esse fim.

Mas o que mais importa na teoria do Marx, é que o trabalhador é o único produtor da riqueza que nos rodeia. O capitalista apenas contrata a força de trabalho para produzir uma riqueza que é apropriada por ele.

No modo de produção capitalista, inclusive o trabalho assume a condição de mercadoria. A força de trabalho tem valor de uso e valor de troca. O trabalhador recebe um salário que permite a ele existir para continuar trabalhando, enquanto o capitalista tem o valor de uso do trabalho e fica com o que essa força de trabalho produz.

 

Afonso Pola (afonsopola@uol.com.br) é sociólogo e professor