Com mais de uma década de atuação, tendo o skate como ferramenta de inclusão social e cidadania para crianças e adolescentes, a ONG Social Skate inicia 2026 focada na manutenção de projetos, como Manobra do Bem, realizado na sede da entidade, em Poá. Nos planos para o novo ano, segundo o diretor e fundador, Sandro Soares, o Testinha, estão ampliar parcerias e desenvolver atividades em outras cidades, como Bertioga, sempre atento ao crescimento da modalidade.
 
 Testinha, que também é skatista, destaca que a lógica que orienta o trabalho da Social Skate é baseada na ampliação do acesso à modalidade como instrumento de transformação social. Para ele, garantir que crianças e adolescentes tenham contato com o esporte, a convivência e a educação é o ponto de partida para fortalecer vínculos, promover cidadania e criar novas perspectivas de futuro.
 
 Esse conceito embasa, principalmente, o projeto Manobra do Bem, considerado por Testinha como a “locomotiva” da ONG. Desenvolvido no bairro de Calmon Viana, em Poá, o projeto atende anualmente cerca de 150 crianças e adolescentes, com idades entre 5 e 17 anos. As vagas para 2026 devem ser abertas em breve, com divulgação no perfil da ONG no Instagram - @ongsocialskate. “É um desafio que a gente aceita há anos. As aulas são em uma região periférica. Não é fácil, tem várias problemáticas, mas a gente entende que esse desafio é o que nos capacita para fazer outras ações”, afirma o fundador.
 
 O número de vagas para este será o mesmo do ano anterior, segundo Testinha, para manter a qualidade do acompanhamento, com material oferecido pela própria ONG. “Vamos abrir 150 vagas para meninos e meninas. Não pretendemos ampliar esse número porque é a capacidade que conseguimos atender bem cada aluno, sem pensar só em números, porque são pessoas. É um acolhimento. A criança começa a ter acesso ao convívio social, mais amigos, vai se tornando uma grande família”, resume Testinha.
 
 Para além da prática esportiva, a atuação da Social Skate, de acordo com o fundador, está conectada a valores como dignidade, convivência e educação. “Eu resumo esse trabalho em uma palavra: acesso. A criança passa a ter acesso ao convívio social, a ações sociais, e isso se expande para a educação, para o bom convívio familiar e escolar”, afirma. Segundo ele, famílias e professores da rede pública contam sobre a melhora no desempenho escolar e no comportamento de crianças e adolescentes que participam do projeto.
 
 A base consolidada em Poá, segundo Testinha, também tem permitido à ONG dialogar com outros territórios e desenvolver novas frentes de atuação. Para 2026, a expectativa é retomar o projeto Skate na Escola, em Bertioga, experiência realizada em 2024 e que aguarda a liberação de uma verba federal. A iniciativa é desenvolvida dentro de escolas municipais, durante o horário escolar, com aporte de uma empresa que atua no município, e tem foco na socialização dos alunos.
 
 Outro eixo que deve ganhar força ao longo do ano é o fortalecimento de parcerias institucionais. Testinha diz que as ações com o Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP) têm sido intensificadas, incluindo eventos realizados na sede da ONG, convites para bate-papos e a participação de integrantes da Social Skate em atividades promovidas por outras unidades e coletivos.

Skate em alta
 

 O crescimento do skate no Brasil, impulsionado por eventos internacionais e as conquistas da atleta Rayssa Leal, também aparece como pano de fundo para os planos da Social Skate, aproveitando o legado de grandes competições, como a Street League Skateboarding (SLS). Em dezembro de 2025, a entidade esteve presente no SLS Super Crown World Championship, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com um espaço para divulgação e cadastro de novos interessados.
 
 “Foi um bom ano. A gente fortaleceu a parceria com a agência produtora do evento e tivemos um balcão de divulgação dentro do maior evento de skate do mundo. Foi uma grande conquista e abriu portas”, afirma Testinha. A ONG também foi uma das beneficiadas com a doação de obstáculos utilizados na competição.
 
 Testinha comemora a maior visibilidade do esporte, mas afirma que ela ainda não tenha se converteu diretamente em mais mercado ou vendas. “O skate cresceu muito. Aumentou o número de espectadores, de pessoas que assistem na TV aberta, em canais alternativos, em plataformas como a Cazé TV. A visibilidade aumentou demais”, avalia.
 
 Para ele, o desafio das organizações sociais ligadas ao skate é ampliar o olhar do público para além das competições transmitidas: “Agora cabe a nós furar essa bolha e mostrar que existe um universo. Existem projetos sociais, grupos só de meninas, ações em várias regiões, campeonatos de veteranos, de master. É interessante manter esse movimento vivo”.

Para 2026, a Social Skate também aguarda apoio do poder público. “É um ano em que os prefeitos começam a executar seus orçamentos, e a gente sempre torce para que eles olhem para o skate e para os projetos sociais como ferramentas importantes de inclusão e cidadania”, conclui. Pessoas e empresas interessadas em colaborar com o projeto podem acessar o link https://socialskate.org/como-ajudar/