A pugilista Danila Ramos vive um novo momento na carreira desde que voltou a morar em Mogi das Cruzes, sua cidade natal, no início do ano passado. Após 11 anos vivendo em Buenos Aires, na Argentina, a atleta — campeã mundial da categoria peso super-pena da Organização Mundial de Boxe (World Boxing Organization - WBO) em 2023 — afirma ter encerrado um ciclo com a conquista do título no país vizinho. Aos 40 anos, ela projeta 2026 como um ano de recomeço, com o objetivo de buscar um cinturão latino e abrir caminho para uma nova disputa mundial.
Conhecida nos ringues como A Guerreira, Danila é a primeira colocada no ranking latino peso pena da WBO e ocupa a oitava colocação na mesma categoria do ranking mundial da World Boxing Council (WBC).
Em 2024, a atleta decidiu dar uma virada em sua vida. “A gente tinha o objetivo de ser campeã mundial lá e, em 2023, eu conquistei o título. Eu estava com a sensação de dever cumprido”, afirma. Ela recebeu o cinturão interino da WBO vencendo a boxeadora Brenda Carabajal.
Na Argentina, onde construiu grande parte da carreira profissional, a boxeadora encontrou uma estrutura diferenciada para atletas de alto rendimento. “A gente tinha nossa academia, treinamentos consolidados, era mais fácil para treinar. Na Argentina tem mais de 30 campeãs mundiais. No Brasil sinto falta de união, tem uma questão de ego maior. É muito difícil encontrar atletas que me exijam, porque o país é grande e as boas boxeadoras estão espalhadas”, avalia.
Desde a volta, ela passou a treinar seis vezes por semana, em dois períodos, no Centro de Lutas e Artes Marciais do Ginásio Poliesportivo José Carlos Miller da Silveira, o Tuta, no Mogilar. Danila conta que treina. A preparação física é realizada pela manhã, com apoio de profissionais da cidade, e os treinos técnicos acontecem à tarde no Tuta, onde seu marido e treinador, Marcos Martinez, trabalha.
“Hoje a minha casa no boxe é no Tuta. Eu treino lá e 2025 foi um recomeço. Eu só tenho a agradecer a Mogi por me receber de braços abertos de novo e pela oportunidade do meu marido trabalhar com o boxe na cidade”, afirmou a atleta.
Fora do ringue, 2025 também foi marcado por uma atuação mais próxima da comunidade. Danila conta que realizou palestras voluntárias em escolas, projetos sociais e em eventos esportivos do município: “Eu levo meu cinturão, incentivo, vou nos projetos sociais, estive nos parques e nos eventos do esporte para mostrar a minha conquista e motivar a nova geração a seguir pelo caminho”.
Danila aponta dificuldades do boxe profissional no país, como falta de reconhecimento, apoio e de patrocinadores. Ela ressalta que, apesar do currículo, não conta com apoio financeiro fixo: “Eu sou uma campeã mundial que não tem patrocínio. Não é falta de buscar, eu tenho resultado.”
Carreira
O retorno ao Brasil ainda coincidiu com a entrada no Fight Music Show (FMS), organização que tem entre os envolvidos o ex-campeão mundial Acelino Popó Freitas. A estreia aconteceu em maio do ano passado, no Fight Music Show 6, em São Paulo. Pela categoria peso-pena. Danila venceu a baiana Halanna Leoparda por decisão unânime dos juízes, e a partir daí assinou o contrato de um ano com a organização. “É um evento de influenciadores, mas eu sou a primeira contratada de boxe profissional mesmo. Para mim foi a melhor coisa que aconteceu em 2025 na minha carreira”, afirma.
Em dezembro de 2025, ela voltou ao ringue no FMS Fight Night 8, em Salvador, enfrentando e vencendo novamente Halanna.
Com a carreira reorganizada no Brasil, a pugilista mira os próximos passos. Ranqueada entre as principais atletas da categoria, Danila explica que o foco está na disputa de um título latino como etapa intermediária. A disputa pode ocorrer na próxima edição do Fight Music Show, prevista para abril, e a partir daí abrir portas para um título mundial.
Futuro
Nos planos da atleta, está lutar no evento da empresa de promoção de boxe fundada pelo pugilista e influenciador americano Jake Paul: "Eu tenho uma boxeadora na minha mira, que é a Alycia Baumgardner, campeã mundial na categoria superpena. As pessoas falam que eu sou louca, eu sonho alto e não consigo pensar pequeno, por isso eu acho que eu cheguei aonde eu cheguei".
Para este ano, Danila espera contar com o apoio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e tem ainda um projeto para aulas de boxes gratuitas para a comunidade da Vila Cleo. A iniciativa foi aprovada pela Lei de Incentivo ao Esporte de Mogi e espera entrar na etapa de captação de recursos.
A pugilista reforça o papel do boxe como ferramenta de transformação. “O boxe é um esporte que faz bem para todas as pessoas. Exige bastante, mas eu recomendo a prática. No Tuta, a gente vê crianças, jovens e idosos treinando. É um esporte maravilhoso", finaliza.
Galeria
Foto 1 - Em 2023, Danila foi campeã mundial na Argentina - Divulgação
Foto 2 - Atleta mogiana mantém rotina com treinos seis vezes por semana - Divulgação