Profissionais das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs) entraram em greve nesta terça-feira (17). A mobilização contra a minuta do Novo Plano de Carreira., organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), se concentra no auditório José Bonifácio da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na cidade de São Paulo. Segundo o Centro Paula Souza, responsável pelas unidades de ensino, apenas 10% dos servidores aderiu à paralisação que, de acordo com a categoria, pode se estender por mais dias dependendo das tratativas. 

Felipe Chadi, secretário geral do Sinteps, afirma que o Centro Paula Souza prometeu, desde 2019, uma revisão no plano de carreira de todos os funcionários da instituição, mas que o processo tem se estendido. “A instituição já apresentou uma minuta de revisão, que foi encaminhado para a secretaria de governo, revisada e devolvida. Logo no começo desse ano fizemos apontamentos para melhorias no texto. Têm muitas coisas que como estão a categoria não concorda. O sindicato fez uma leitura crítica de que existem muitos prejuízos em alguns pontos. Existe um consenso geral de que a carreira atual precisa de melhorias, precisa de uma revisão”, explica Chadi.

Segundo o sindicato, o modelo, que atualmente tramita, é prejudicial para os trabalhadores. De acordo com a entidade, a proposta substitui o atual modelo salarial para remuneração por subsídio, que elimina os pagamentos de quinquênios (adicional concedido a cada cinco anos), e sexta-parte (adicional por tempo de serviço). “Queremos a manutenção da remuneração por salário, com a preservação dos adicionais e estrutura que permita valorização progressiva ao longo da carreira”, alega a categoria. 

Além disso, o sindicato reivindica mudanças na escala de trabalho, com jornadas de 36 horas semanais, sem redução salarial para os técnicos administrativos e regimes organizados em 36h, 24h e 12h para o corpo docente. A minuta, de acordo com a entidade, prevê ainda a extinção de cargos de nível médio, como agentes técnico-administrativos e outros segmentos administrativos, o que, segundo a categoria, poderia ocasionar a possível terceirização dessas funções.

Chadi afirma que existe uma alta rotatividade de funcionários na instituição devido ao atual plano de carreira. “Tem uma certa necessidade de os trabalhadores terem essas repostas atendidas. Quando esse projeto vem? De que forma ele vem? Não queremos uma reforma administrativa que tire os direitos dos trabalhadores”, finalizou o secretário do Sinteps.

O que diz o Centro Paula Souza?

A redação do Mogi News entrou em contato com o Centro Paula Souza que, em nota, afirma que apenas 10% dos servidores aderiram a paralisação convocada pelo sindicato. Não foi informado o número de estudantes  impactados pela mobilização.

Em relação a proposta do Plano de Carreira, a instituição afirma que o modelo foi construído em conjunto com a comunidade acadêmica, "passando por ampla discussão, incluindo reuniões da presidência com representantes de docentes das Etecs, Fatec e servidores administrativos. Além de prazo para que as unidades contribuíssem com sugestões", finaliza a nota.