Autoridades da Prefeitura de Mogi das Cruzes assinaram no final da tarde desta segunda-feira (5) o Decreto nº 24.086, que cria o Comitê de Crise Hídrica e Monitoramento de Eventos Climáticos. O documento, de acordo com a Prefeitura, foi elaborado para preparar a cidade para um possível desabastecimento de água, diante de um cenário adverso no Estado, marcado pela queda no nível das represas e por ondas de calor. A medida estabelece ações conjuntas entre secretarias municipais, o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) e à Defesa Civil.
 
 A prefeita Mara Bertaiolli destacou a importância da criação do Comitê, diante da necessidade de prevenir transtornos causados pelas intempéries durante o verão e a preocupação com o baixo nível dos reservatórios. “O comitê atuará em uma possível crise hídrica. Teremos esse comitê acompanhando e fazendo sempre o melhor para prevenir qualquer problema da cidade”, disse.
 
 A cerimônia de apresentação do decreto foi classificada como uma reunião de trabalho pela prefeita, que reforçou o caráter integrado da iniciativa. “É impossível criar um comitê de uma possível crise hídrica e não envolver as secretarias, como Meio Ambiente, Assistência Social, Saúde, Educação. É importante e fundamental termos todas as secretarias falando a mesma língua e nos prevenindo de uma possível crise”, destacou.
 
 O diretor-geral do Semae, José Luiz Furtado, reforçou que a cidade não corre risco de falta de água no momento. “Hoje a nossa situação é de estado de alerta, porque a água é um recurso finito. O nosso trabalho hoje é conscientizar a população sobre o consumo de água e fazer o monitoramento. A gente não tem como prever as questões da natureza, quando vai chover mais ou menos”, frisou. Segundo ele, o comitê auxiliará as autoridades na tomada de decisões conjuntas as ações previstas no decreto, que não são estáticas e podem ser ajustadas conforme a necessidade. 

 Furtado afirmou ainda que o trabalho preventivo realizado nos últimos anos contribuiu para que Mogi estivesse mais preparada do que outras cidades da região. Ele citou melhorias nos sistemas de monitoramento, a redução da dependência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e modernizações no Semae. “A questão do enfrentamento da crise está muito baseada no planejamento. Passamos o ano de 2025 já imaginando as possibilidades e fizemos estudos necessários ao longo do ano”, destacou.
 
 O vice-prefeito Téo Cusatis disse que o comitê será responsável por monitorar riscos hídricos e climáticos, propor medidas preventivas e emergenciais e articular ações entre diferentes órgãos municipais. Ele avaliou que a situação atual dos reservatórios do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat), está baixa, mas não é crítica e ressaltou a importância da antecipação. Nesta segunda-feira (5) o Spat operava com 21,4% da capacidade, com uma variação positiva de 0,3% no último dia. 

Cusatis reforçou a necessidade da conscientização sobre o uso racional da água e afirmou que a medida será adotada também nos prédios municipais, com meta de redução de 30% no consumo. 

As Secretarias de Assistência Social e Saúde, além do Fundo Social, de acordo com Cusatis, devem trabalhar uma campanha com grupos vulneráveis. “Vamos ter um limite de temperatura, que é 32 graus ou sensação de 35 graus, chegou nesse limite os nossos consultórios de rua irão para alguns pontos da cidade para distribuir água para os grupos mais vulneráveis para garantir a hidratação, assim também para os pets”, disse.

Decreto
 
 A criação do comitê, segundo o decreto, ocorre diante do crescimento significativo de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, estiagens prolongadas e chuvas intensas. Entre os fundamentos apresentados, estão o índice de estresse hídrico classificado como alto para a cidade, a ocorrência de temperaturas elevadas, a redução do volume de água armazenado nos reservatórios e o aumento de até 60% no consumo de água durante períodos de calor intenso, segundo dados do Semae.

O documento prevê a adoção de ações administrativas emergenciais para garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais, autorizando a realização de licitações para aquisição ou aluguel de veículos, equipamentos e insumos, além da contratação de serviços necessários ao enfrentamento da crise climática.
 
 Antes da apresentação do comitê, também foram abordados na Prefeitura os trabalhos da Operação Verão, iniciada em dezembro e que continua até março. Eli Nepomuceno, chefe de Gabinete do vice-prefeito, avaliou que a cidade tem lidado bem com as chuvas registradas até o momento e reforçou que equipes da Defesa Civil e secretarias como a de Serviços Urbanos, seguem mobilizadas para atender emergências.
 
 Ônibus e IPTU
 
Ao final do evento, a prefeita comentou outros temas, como a tarifa do transporte municipal. “Estamos estudando algum reajuste, mas isso até quarta ou quinta-feira passamos. Está sendo estudando junto com a Secretaria de Mobilidade, com muita responsabilidade, muito cuidado”. Outro ponto abordado foi o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que, segundo a prefeita, em 2026 não haverá aumento real, apenas de acordo com a inflação.