Há uma tensão evidente no cotidiano das escolas. De um lado, encontram-se estudantes e jovens professores acostumados com as revoluções tecnológicas e o funcionamento "24/7" (24 horas nos 7 dias da semana) das redes de comunicação. Por outro lado, a escola, num ritmo temporal mais lento: o tempo da reflexão, da maturação dos tópicos que integram as disciplinas e, sobretudo, do espaço necessário à construção do conhecimento. "Esse é um primeiro conflito: enquanto as pessoas que estão chegando -
seja o jovem professor, seja o estudante - vivem dentro de um circuito tecnológico de extrema aceleração, o tempo concreto da escola ainda é muito lento. Isso tem impactos na vida cotidiana e ainda não sabemos precisamente como lidar com a nova realidade".
Esta é análise de Adilson Odair Citelli, professor-titular da ECA-USP, que lança neste mês o livro "Comunicação e Educação: Os desafios da aceleração social do tempo". A obra, que integra a coleção "Educomunicação", organizada pela Paulinas Editora, reúne artigos que discutem como a educação é influenciada pelo tempo socialmente acelerado, e alternativas para diminuir os efeitos da rapidez e da efemeridade no universo escolar.
"Os dias e anos estão mais curtos", "as coisas estragam rapidamente", "é preciso dinamizar a aula para manter o aluno atento", "fazer cursos de formação permanente se tornou uma necessidade", "já não aguento mais levar trabalho para casa". Estes e outros enunciados frequentam diariamente o cotidiano escolar. Afinal, explica Citelli, "quase todos nós estamos imersos em um mundo regido pela aceleração social do tempo".
Com a presença das novas tecnologias no cotidiano, mudanças estruturais atingem as formas de ser e estar no mundo. O celular, o tablet e outras possibilidades comunicacionais impõem transformações nas instituições, nos mecanismos de organização social e também na própria sociabilidade dos sujeitos.
Uma das resultantes mais visíveis desse processo foi a percepção de que o tempo social acelerou-se. O livro organizado por Citelli questiona como a aceleração social do tempo adentra, em particular, os circuitos da educação, seja ela formal, seja não formal.
A obra é colaborativa e conta com a parcipação de dez autores, que debatem esta temática em diferentes ciclos de ensino, do básico ao universitário. Suéller Costa, jornalista e educadora, que atua no Grupo Mogi News de Comunicação, está entre os participantes. Ela traz uma pesquisa sobre o reflexo desta aceleração do tempo na Educação Básica. Professores da rede de ensino de Biritiba Mirim refletem acerca de como estão sentindo essa aceleração e atuando diante deste novo ritmo.
Lançamentos
O lançamento oficial será nesta quinta-feira, durante o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), das 12 às 14 horas, na Universidade Positivo, em Curitiba (PR). O grupo estará na seção "Publicom". Haverá novos lançamentos em São Paulo em datas a serem divulgadas em breve. (Texto: Douglas Calixto)