A poetisa de Suzano Débora Garcia, ex-presidente da Associação Cultural Literatura no Brasil (ACLB), lança nesta terça-feira, dia 25 de julho, quando se comemoram o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza Benguela, o clipe musical "Pretas Panteras", seu primeiro trabalho musical profissional. A produção é também uma homenagem ao Partido Panteras Negras, em especial à ativista Ângela Davis, ícone do feminismo negro. O lançamento será realizado às 19 horas na Ação Educativa, localizada na rua General Jardim, 660, Vila Buarque, São Paulo.
Além da participação do elenco do clipe, o evento contará com discotecagem da DJ Cris Laddybrown, apresentação musical de Bia Doxum e intervenção das Bgirs Larissa e Letícia Rocha. Haverá ainda a presença de convidadas que debaterão a representação e a representatividade da mulher negra no rap e no audiovisual. A mediação ficará a cargo da historiadora Landy Freitas, integrante da ACLB.
Quem assina a direção do clipe é a cineasta Joyce Prado e na produção musical está Tico Pró, da Indigo Music. O elenco tem a participação de Elizandra Souza, Thata Alves, Jô Freitas, Andréia Rosa e Deusa Poetisa (poetas); Marisa Sooul e Pamela Rosa (graffiti), a DJ Cris Laddybrown, a MC Luana Hansen e as irmãs BGirls Larissa e Letícia Rocha. Todas mulheres negras e artistas consideradas referência no cenário cultural periférico da capital paulista.
Débora destaca que a arte tem papel fundamental na abordagem das referências políticas e culturais. "Busquei reunir no clipe artistas negras de variadas linguagens justamente para mostrar o nosso potencial. O mercado artístico brasileiro ignora a existência desses profissionais. Todas as pessoas envolvidas na produção são negras por uma opção política e estética. Fizemos um trabalho primoroso", ressalta.
"Pretas Panteras" é fruto de um poema escrito por Débora, no final de 2015, que dada a musicalidade do texto, optou por trabalhá-lo com a métrica do rap. "Essa escolha se deu porque o rap tem um apelo muito grande com a juventude, o que seria propício para trabalhar a mensagem sobre feminismo negro com os jovens, principalmente nos saraus que realizo em escolas", justifica.
Experiência
Débora iniciou sua trajetória literária em 2009, ocasião em que passou a integrar a ACLB. Nesses anos de atuação na militância cultural, Débora se aprimorou no segmento literário, publicando seu primeiro livro em 2014. Também passou a dialogar com outras linguagens artísticas, como a música, o audiovisual e as artes cênicas.
No ano passado, iniciou o projeto Sarau das Pretas, sediado em São Paulo e formado por mulheres negras. A iniciativa tem como objetivo discutir feminismo, cultura e ancestralidade negra. Mais informações sobre a artista pelo e-mail debora[email protected] ou em facebook.com/deboragarciapoetisa.