Mogi das Cruzes iniciou ontem sua décima participação na Virada Cultural Paulista, uma parceria do governo do Estado com a prefeitura. Seis palcos estão ocupados na cidade: o principal, no estacionamento do Ginásio Municipal de Esportes Professor Hugo Ramos; o Teatro Vasques, o Centro Cultural de Mogi, o Largo Bom Jesus, o Largo do Rosário e a praça Flávio Furlan (Terminal Central). Ao todo são 44 atrações. Confira a programação completa no site www.cultura.pmmc.com.br. 
Desde ontem, o palco principal recebeu DJ, o mogiano Gui Cardoso, o rapper carioca Filipe Ret, o Grupo Batakerê, e o grande destaque do dia, a cantora Daniela Mercury. Neste domingo, às 15h30, Ben Ludmer apresenta o show de humor "Sem Cartola", e às 17 horas, o grupo Xaxado Novo promete levar o público para uma viagem musical pela cultura nordestina, combinado com a a música árabe e cigana no baião. O encerramento será feito pelo cantor e compositor Arnaldo Antunes, às 18h30. 
Além da parte musical, as apresentações do grupo Xaxado Novo envolvem performance e intervenções. Descubra nesta entrevista um pouco mais sobre o grupo formado por Bruno Duarte (davul, tambor e voz), Davi Freitas (violão e voz), Felipe Gomide (rabeca, voz e cordel) e Marcus Simon (percussão e voz).  
Como é propor um resgate da formação tradicional do baião e ainda relacioná-lo com diferentes culturas, como a árabe e cigana?
Xaxado Novo: Como também desenvolvemos uma linha de pesquisa na música cigana e oriental, através das bandas Orkestra Bandida e Yaqin Ensemble (Coletivo Tarab), foi fácil identificar diversos elos entre a música do oriente islâmico com a música nordestina. Hoje sabemos que diversos instrumentos, como a própria rabeca e a zabumba, têm origem no Oriente (rebab e davul), além de ritmos como o Halij, Cocek e Karachi, que lembram muito o baião e o xaxado, e se encontram na na música árabe e cigana. A ideia do nosso primeiro disco, "Sertão Cigano", foi justamente explicitar essa influência e aproximar essas culturas.
Por que inserir performances e intervenções nas apresentações?
XN: Além de músicos, o grupo conta com a experiência do cantor Davi Freitas como palhaço e animador em performances realizadas em diversos eventos, o que torna natural esse contato próximo e lúdico com as pessoas. As intervenções com pífanos e percussão também ajudam a descontrair e a quebrar essa distância que existe, muitas vezes, entre os artistas no palco e a plateia.
 E o interesse pela música de raiz nordestina?
XN: O interesse e a pesquisa pela música regional brasileira, não só a nordestina de raiz, foi algo que uniu o grupo e, que aos poucos, foi se transformando em paixão. Realizamos viagens de imersão na cultura do sertão nordestino para conhecer mais a fundo não só os ritmos nordestinos, mas tudo que envolve essa musicalidade tão rica e encantadora. Entrevistamos mestres rabequeiros, sanfoneiros, bandas de pífano, cordelistas e xilógrafos. Esse material foi registrado em fotos e vídeos, publicados na fanpage e no canal do grupo no Youtube, além de um cordel escrito pelo rabequeiro do grupo Felipe Gomide.
Como foram os shows na Virada? E o que esperam para os próximos?
XN: Fomos muito bem recebidos na cidade de Registro, onde tivemos todo o apoio da equipe de produção do evento, e tocamos num incrível palco com uma estrutura e som da melhor qualidade. A plateia se divertiu muito com o som do Xaxado Novo e ficamos muito contentes em poder conhecer e conversar com as pessoas no camarim após o show. Esperamos realizar nos próximos eventos excelentes apresentações. Se depender do Xaxado Novo, não vai faltar animação e ousadia.