O Teatro Contadores de Mentira abre a programação deste ano com a apresentação do espetáculo "Curra - Temperos Sobre Medéia" neste sábado, às 20 horas, na sede do grupo. O clássico celebra o reencontro entre os que prestigiam o trabalho que vem sendo desenvolvido pela trupe suzanense. O valor do ingresso será colaborativo, com valor mínimo de R$ 5. O espaço cultural fica na avenida Major Pinheiro Fróes, 530, no Parque Maria Helena, em Suzano. A classificação etária é de 14 anos.
"Curra - Temperos Sobre Medéia" é um uma celebração Orixá sobre o mito clássico de Medeia, estreado em 2008. Um terreiro, uma arena, um banquete, bebida, comida, pés descalços para celebrar o efêmero. Um local onde o público não é apenas expectador, e sim convidado para um "outro lugar". Uma cozinha funciona durante todo o tempo provocando relações sensoriais nas quais a dança, a comida e a música celebram o mito da Medeia. Dentre os personagens, há o Jasão, que é um orixá recebido pelo corpo de um cozinheiro. Medeia tem a força de Iansã e sua inimiga, a beleza de Oxum. Já Creonte é o senhor do terreiro e exige o seu direito à propriedade enquanto crianças "Erês" cegas decidem o futuro de sua mãe.
O grupo
O Grupo Contadores de Mentira também é uma instituição com o mesmo nome. Foi fundada em 1995 em Suzano, na região do Alto Tietê, onde, desde 2013, mantém também uma sede física onde produz projetos, espetáculos, festivais, encontros, feiras e, sobretudo, um diálogo de sobrevivência, crescimento, articulação e atitude entre cidadão e cultura. Ao longo destes anos, preserva-se um sentimento de recusa, de fluxo contrário ao pensamento de que apenas os grandes centros são produtores de cultura. O grupo é pioneiro de um movimento, hoje fortalecido na base histórica teatral do Alto Tietê. Foi o primeiro a adotar Suzano como "residência" e a propor novos espaços para exercitar o olhar para um teatro voltado aos rituais, à pesquisa de linguagens e à necessidade de organização.
Os Contadores descobriram que é necessário se organizar em coletivos, lutar por políticas públicas e dialogar com a comunidade. Um projeto de grupo é mais importante que um espetáculo isolado. Os integrantes chamam o que produzem de "celebração" porque acreditam que, além do ato teatral, existe o festejo, a comida, a comunhão, o artesanato do corpo. Há anos se perguntam quais os caminhos para agregar outros criadores ou mesmo ampliar a relação com as comunidades para promover o instante cultural. Assim, optam pela festa para celebrar com o público, dançar, interpretar, cantar e juntos contar uma história. Os projetos são construções de relação e de fortalecimento de potências.