A Cia. Brittos leva ao Teatro Vasques nesta quinta-feira um clássico da literatura brasileira. Aos amantes de Machado de Assis, o grupo apresenta duas sessões, às 9 horas e às 10h30, da adaptação teatral de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", uma obra do Realismo. Os ingressos estão à venda por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). O centro cultural mogiano fica na rua Dr. Correa, 515, no centro, em Mogi.  
O clássico traz em cena a vida de Brás Cubas, um homem rico e solteiro que, depois de morto, resolve narrar a sua vida. Dessa perspectiva, emite opiniões sem se preocupar com o julgamento que os vivos podem fazer dele. De sua infância, registra apenas o contato com um colega de escola, Quincas Borba, e o comportamento de menino endiabrado, que o fazia maltratar o escravo Prudêncio e atrapalhar os amores adúlteros de uma amiga da família, D. Eusébia. Da juventude, resgata o envolvimento com a prostituta de luxo Marcela.
Depois de retornar de uma temporada de estudos na Europa, vive uma existência de moço rico, despreocupado e fútil. Conhece a filha de Dona Eusébia, Eugênia, e a despreza por ser manca. Envolve-se com Virgília, uma namorada da juventude, agora casada com o político Lobo Neves. O adultério dura anos e se desfaz de maneira fria. Brás ainda se aproxima de Nhã Loló, parenta de seu cunhado Cotrim, mas a morte da moça interrompe o projeto de casamento.
Desse ponto até o fim da vida, Brás se dedica à carreira política, que exerce sem talento, e a ações beneficentes, que pratica sem nenhuma paixão. O balanço final, tão melancólico quanto a própria existência, arremata a narrativa de forma pessimista: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria".
O autor
Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da literatura nacional. Primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, foi também um dos fundadores. Em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", lançada em 1881, Machado apresenta um estilo novo, rompendo com a tradicional narração linear e dando início ao realismo brasileiro. Os críticos da época perceberam que a narrativa apresentou elementos modernistas e de realismo mágico. Na obra, o narrador suspende seu relato para desenvolver reflexões paralelas a ele.
A ação do romance abarca a segunda metade do século XIX, período que corresponde ao governo de D. Pedro II. A juventude do protagonista coincide com a Independência do Brasil, em 1822. Assim, a sua chegada à idade adulta pode simbolizar a maturidade social brasileira. Noções como verdade, ciência e razão são colocadas em discussão e relativizadas pelo personagem. O narrador vê o mundo com ceticismo e desprezo e tece a sua crítica ao gênero humano.