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Quatro irmãs se prostituem para proporcionar à caçula o casamento dos sonhos. O pai, vidente e abitolado na procura de seus deuses, serve café aos deputados e encara como sagrada a virgindade da filha mais nova. A mãe, gorda e negra, se anula para satisfazer as vontades da família tradicional brasileira. A virgindade, o machismo e o fanatismo, assim como o sincretismo religioso, são temas dessa história de um País que teve a sua ''liberdade'' proclamada por um grito. Este é o enredo do espetáculo "A Última Virgem - Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio", que o Teatro da Neura estreia nesta sexta-feira em sua sede, o Espaço N de Arte e Cultura.
Com dramaturgia, direção e adaptação de Antônio Nicodemo, a peça é baseada na obra "Os Sete Gatinhos", do dramaturgo e escritor pernambucano Nelson Rodrigues. Em cartaz até 19 do mesmo mês, a peça será apresentada às sextas-feiras e aos sábados, às 20 horas, e, aos domingos, às 19 horas. O Espaço N fica na rua José Garcia de Souza, 692, no Jardim Imperador, em Suzano. Os ingressos custam R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia-entrada. A classificação indicativa é de 12 anos.
Oriundo de uma leitura encenada que o grupo apresentou em maio de 2015, o espetáculo tem o Carnaval como o principal combustível e se passa em um barracão de uma escola de samba, com pessoas que respiram e vivem dessa manifestação artística. Para isso, a companhia teatral teve a oportunidade de imergir nos ensaios do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba X-9 Paulistana.
"O contato com a X-9 Paulistana deu-se pelo Leandro de Santana, que é historiador da arte. Com muito carinho e generosidade, ele, por meio do Departamento Cultural da escola de samba, abriu as portas para ajudar na pesquisa. O Carnaval é a maior festa brasileira e, antes de tudo, é uma manifestação de fé que se assemelha com o teatro na linha de criação, nas necessidades e nas resistências", diz Nicodemo.
Com um texto que mistura o sagrado e o profano, o grupo também realizou uma pesquisa aprofundada na história do sambista Joãosinho Trinta e, por meio desse estudo, o espetáculo ganhou o nome de "Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio". "Nas nossas pesquisas, descobrimos que ele dizia que o Carnaval era uma ópera de rua, quando o povo virava rei. Daí surgiu a inspiração para o nome da peça. Para mim, ele é um dos grandes encenadores que o Brasil já teve", acredita o dramaturgo, que também é fundador do Teatro da Neura.
Para dar um clima ainda mais carnavalesco ao espetáculo, "A Última Virgem - Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio" conta com músicas autorais interpretadas pelo quarteto Os Sambistas.