Os integrantes do Teatro Experimental Mogiano (TEM) completaram 50 anos em 2015. Este momento especial foi marcado por diversas apresentações, debates e eventos com a participação do grupo, que marcou a história cultural de Mogi das Cruzes. Após um ciclo de comemorações, no momento, a equipe está se dedicando à arrecadação de uma verba para ser destinada à montagem de duas peças infantis: "Cadê Minha Música" e o "Burrinho Voador". Para isso, a trupe está vendendo o CD gravado recentemente no Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam), com o registro da peça "Amor (Te) Natal", para a Coleção Boigyana, da Secretaria Municipal de Cultura.
O CD, que está acompanhado por um folheto com informações sobre a produção teatral e o elenco, além da ficha técnica completa com o nome de todos os participantes, pode ser adquirido pelo valor de R$ 10. Os pedidos devem ser feitos pelo telefone 11-99562 - 8554 com Ana Celeste Juk ou pelo e-mail tem50[email protected]. Na compra de cinco álbuns há um desconto de 10%.
A peça "Amor (Te) Natal", escrita em 1968 e adaptada para leitura dramática no ano passado, foi organizada por Milton Feliciano. A produção, aliás, foi a primeira do grupo e teve montagem na clandestinidade, na época da ditadura militar, e produzida por membros do Cena Aberta.
O texto foi inspirado em uma crônica do mineiro Fernando Sabino, que relata o nascimento de Jesus Cristo, mas Milton Feliciano não fala de religião e sim de humanidade. A peça, escrita em um dia, teve a gravação realizada por antigos integrantes do grupo mogiano e conta com músicas de Miguel Colella Neto, Orivaldo Sebastião Lopes e também de Feliciano.
O grupo
O Teatro Experimental Mogiano foi criado em 1965 por iniciativa dos estudantes membros do Grêmio Estudantil "Ubaldo Pereira", do então Instituto Washington Luiz, em Mogi das Cruzes. O TEM se transformou em associação cultural em abril do ano seguinte. Sua principal meta como associação era promover a arte e a cultura na região e como grupo teatral a produção dramática. A montagem que abriu as portas para a trupe foi "A Exceção e a Regra", de Berthold Brecht, ganhando os principais prêmios do III Festival de Guanabara, em 1966 (a produção foi remontada em 2014 em comemoração aos 80 anos da escola Washington Luiz).
A partir dessa montagem, Armando Sérgio, ex-secretário de Cultura do município de Mogi das Cruzes na época, ingressou no curso de Artes Cênicas na Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), que lhe daria a base para sua atuação política e cultural.
Outro trabalho que teve repercussão foi "Em Tempo de Inconfidência" de Milton Feliciano, e, na realidade, foi a primeira montagem do TEM, vetada em todo o território nacional pela Ditadura Militar. Em 1967, a "Revolta de Canudos", de Milton Feliciano, consagrou definitivamente o TEM em São Paulo dentro do V Festival Estadual de Teatro Amador do Estado de São Paulo (FETAESP).