O Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) de Mogi das Cruzes acaba de completar 50 anos de fundação. E, pela primeira vez, a autarquia terá sua história registrada em livro, que será lançado nesta quarta-feira pelo prefeito Marco Bertaiolli no auditório do Centro Municipal de Formação Pedagógica (Cemforpe), durante evento em comemoração ao cinquentenário. A atividade está marcada para as 19 horas, e contará com a presença do prefeito eleito Marcus Melo, que foi diretor-geral do Semae por 5 anos e aprovou a proposta de produção do livro, quando a ideia foi lançada, no fim de 2014.
A obra foi produzida pela equipe da Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Escrita pelos jornalistas Julio Nogueira, Luiz Maritan e Marco Aurélio Sobreiro, é resultado de dois anos de pesquisas, dezenas de entrevistas e consultas a documentos históricos.
São 14 capítulos, num total de 207 páginas ilustradas com imagens históricas, com fotografias de Ney Sarmento, Guilherme Berti e Julio Nogueira, além de reproduções do Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes e Arquivo do Semae. O projeto gráfico foi desenvolvido pelo publicitário Jorge Ricardo, que cuidou ainda da diagramação com o também publicitário Fábio Faria.
O material foi organizado em três grandes partes. A primeira aborda o abastecimento em Mogi das Cruzes antes do Semae, desde o século 16 até a criação da autarquia, e relata curiosidades como a "Aguada da Vila", que fornecia água aos primeiros habitantes da então Vila de Sant'Anna de Mogi Mirim, e ainda o que se acredita ser a primeira ligação de água a uma casa da cidade.
Também estão lá os registros do abastecimento de água a partir da Serra do Itapeti e do primeiro reservatório, inaugurado em 1929 pelo prefeito Carlos Alberto Lopes, o mesmo que, 37 anos depois (em um novo mandato), criaria o Semae. O reservatório, que fica na rua Otto Unger, é utilizado até hoje.
A segunda parte conta como foi a consolidação do Semae em suas primeiras três décadas, cuja ênfase era a captação, tratamento e distribuição de água, desde 1970 ao final dos anos 1990, e como o serviço transformou a vida da população de regiões que hoje estão totalmente inseridas na área urbana (Braz Cubas e Jundiapeba), mas que há cerca de 40 anos recorria a poços para ter acesso à água.
Nesta etapa, o livro mostra como o Semae construiu as maiores estruturas de abastecimento de Mogi das Cruzes, como os reservatórios da Vila Natal e do Jardim Santa Tereza (este último feito pela Sabesp, em parceria com o município), até hoje os de maior capacidade de armazenamento em toda a cidade.
Por fim, a terceira parte relata a história recente da autarquia e o Projeto Mogi-Sanear, que consolidou o Semae como agência ambiental ao priorizar também o tratamento de esgoto e a consequente e gradativa despoluição do Rio Tietê. Como principais conquistas do período, estão a Estação de Tratamento de Água (ETA) Leste, no Socorro, e Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), em Cezar de Souza - as mais modernas estruturas do Semae.
O relato recente mostra ainda como a Prefeitura de Mogi das Cruzes e a autarquia decidiram inserir o saneamento em grandes obras de urbanização nas décadas de 2000 e 2010, que resultaram em históricos avanços. O Semae foi criado pela Lei Municipal 1.613, de 7 de novembro de 1966. Em 26 artigos, o texto estabelece os deveres e direitos do órgão, bem como a sua estrutura administrativa.
Já os 50 anos do início das atividades da autarquia serão completados em 1º de janeiro de 2017. É que pouco tempo depois da instituição do Semae, a Lei 1.633 (de 28 de dezembro de 1966) complementou a criação do órgão municipal. Em seu artigo primeiro, a legislação considera "o ano de 1967 como o primeiro de efetivo exercício do Serviço Municipal de Águas e Esgotos" e que as atividades realizadas em 1966 "são consideradas, apenas, como necessárias para a sua instalação".