Maristela Afro e banda farão uma linda homenagem à Clara Nunes em show programado para hoje à noite no Galpão Arthur Netto. A apresentação é uma reverência da cantora a um ícone da música brasileira, mas também constrói uma referência à luta do povo negro. E ocorre justamente no Dia da Consciência Negra, neste domingo, às 20 horas. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10
(meia-entrada). O espaço de cultura fica na avenida Fausta Duarte de Araújo, 23, no Jardim Santista, em Mogi.
Num repertório especialmente escolhido para o show, Maristela cantará grandes clássicos da cantora brasileira, como também pérolas não tão conhecidas. Intitulado "Clara Nunes - O Conto da Guerreira", trata-se de uma homenagem a uma cantora que fez sucesso na década de 1970 e que, infelizmente, morreu prematuramente no início dos anos de 1980. Maristela Afro é a sua grande fã e por isso escolheu o seu repertório para estrear com um show próprio na região do Alto Tietê.
Ela destaca clássicos do samba brasileiro, como "O Mar Serenou", "Jogo de Angola", "Conto de Areia" e "Canto das Três Raças". "Clara era além de uma grande cantora, uma guerreira na luta pelo fim da discriminação racial, e travava essa luta com o repertório que escolhia para cantar e gravar em seus discos", diz Maristela Afro. "E o show naturalmente se torna um manifesto em favor da consciência negra. Então, será uma grande celebração afro-brasileira também!", completa a cantora.
Na banda, há uma mistura de músicos jovens e experientes, que farão darão um brilho a mais à voz de Maristela e às canções de Clara Nunes. No violão, o jovem Kelvin Lucas, no cavaquinho a experiência de Bebeto Policarpo, nos vocais de apoio Rosana Policarpo, no pandeiro Dimas Crispin, na timba Edgar da Silva, na bateria o ritmo de Pedro Cirilo e na percussão toda a energia e gingado de Helô Rossi e João Yrapoan.
A artista
Maristela Afro nasceu em Guarapuava, no Paraná, mas desde cedo se mudou com a família para Mogi das Cruzes. Com carreira na Educação, como professora, é especialista em história da África e do Negro no Brasil. Ela também tem um trabalho reconhecido como artista plástica. Seus painéis de tecido, chamados "panôs", sempre com motivos afro-brasileiros, já são conhecidos no meio artístico da região.
"Eu sempre tive essa paixão por cantar, mas nunca me arrisquei profissionalmente. Mas nos últimos anos essa vontade de me apresentar e de me expressar pela música ficou maior e resolvi montar esse show cantando esse repertório da Clara Nunes, que eu amo de paixão", diz a cantora.