O Galpão Arthur Netto recebe hoje a Companhia Hecatombe, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, para compartilhar uma produção com a cidade. O grupo apresenta à 20 horas
o espetáculo "Crise de Gente", que chega a Mogi das Cruzes pelo Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo (ProAC), da Secretaria de Estado da Cultura, e os ingressos serão no chapéu (ou pague quanto puder). É a primeira vez que a trupe vem ao município e haverá um intercâmbio com os grupos residentes do tradicional espaço mogiano, que fica localizado na avenida Fausta Duarte de Araújo, 23, no Jardim Santista.
"Crise de Gente" é o projeto que celebra os 11 anos da Companhia Hecatombe. Refaz o trajeto do grupo de 2005 até aqui, buscando utilizar o neogrotesco como base, ponto de apoio e objeto de investigação permanente. Centra-se no vocábulo crise, palavra desgastada - mais que comum nos dias atuais -
experimentada em cena por atravessamentos filosóficos, políticos, poéticos e dramáticos. Foi contemplado pelo Proac para a sua montagem, que prevê como contrapartida a apresentação em 11 cidades pelo interior paulista. Conta também com o apoio da Prefeitura de São José do Rio Preto e com a orientação e supervisão do diretor Nelson Baskerville.
A produção é dividida em ensaios, que trazem uma série de situações, como sociedade que se encontra perdida e o avanço do retrocesso avança. Uma grande massa de refugiados deixa para trás as suas nações e também os seus filhos no mar gelado. Aborda a lavagem; o arrastão; o casco; a quebra; o estrondo; a alienação; a ignorância; o fascismo; o machismo; a corrupção; a nação; o verde; o amarelo; o estupro; o progresso; o clássico de Shakespeare; o teatro; o fomento; a pesquisa; o ensaio; o grotesco; o supor; o devir; o grito; a dor; o acidente; a ruptura; o golpe. Enfatiza a ideia de que todos estão perdidos e no mesmo barco. Um panorama de uma crise de gente de todo tipo, curtida e compartilhada.
A companhia
A Cia. Hecatombe nasceu em 2005, quando os seus fundadores, os dramaturgos Homero Ferreira e Daniele Veiga, se conheceram. No mesmo ano iniciaram a pré-produção da Ópera Carmen e promoveram leituras abertas do texto "Quem Matou Amèlie de Port-Sallut?", de Marcos Caruso e Jandira Martini no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Em 2006 a companhia se volta à pesquisa dramatúrgica. Em 2007 apresenta-se no festival Curta Teatro com Libra, de Homero Ferreira, onde ganha os prêmios de melhor cenografia e 3º melhor espetáculo. Em 2008 apresenta ao público, dentro das festividades do aniversário de Rio Preto, uma leitura dramática do texto "Línguas e Lentes", de Homero Ferreira, e do conto "Triângulo em Cravo" e "Flauta Doce", de Caio Fernando Abreu. A junção de texto e conto é intitulada "Tecnicamente Doce".
Em abril do mesmo ano apresenta-se novamente no Festival Curta Teatro com a peça "Françoise", de Luiz Vilela. Possui uma produtividade intensa e agrega inúmeros prêmios por conta de seu trabalho. Cada vez mais aprofundada na pesquisa da linguagem neogrotesca e em diferentes vertentes do fazer teatral, a companhia Hecatombe vem crescendo e produzindo arte na constante busca de reflexão sobre os temas que leva aos palcos por onde se apresenta.