Uma ponte entre a arte francesa e brasileira na visão de uma artista que divide seu talento entre os dois países. Professora de Direito Civil e oficial de registro, Ana Rafful desde os quatro anos desenha e pinta, e ao longo dos anos vem aprimorando sua arte com estudos nos Estados Unidos e Europa.
Aluna da Académie de la Grande Chaumière, de Paris (França), ela é a curadora da exposição "Paris - São Paulo: Olhares Cruzados" (Régards Croisés, em francês), que terá início neste domingo no Casarão do Chá (Estrada do Chá, cx 05, Cocuera), em Mogi. O evento gratuito segue em cartaz até o dia 20 de novembro. Mais informações: 4792-2164.
Uma vernissage, a partir das 17 horas, apresentará ao público as 174 obras originais, de professores de Arte, artistas profissionais e amadores, mostrando os diferentes olhares entre Paris e São Paulo, incluindo trabalhos de grandes nomes da academia francesa. Neste domingo poderão ver duas telas especiais, uma delas, cópia da Jovem Orfeline do Delacroix, devidamente autenticada pelo Museu do Louvre,e o óleo sobre tela da Banhista de Ingres.
Além das obras, destaque para a performance preparada pelo psicoterapeuta e preparador de atores, Paulo Augusto Rios, e o grupo de teatro físico De Trás da Porta -
Artes do Corpo.
"Posso garantir que será algo bastante sensível, pensando nesta questão das cidades. Hoje em dia, as pessoas passam e não olham as coisas. Esta performance vai estimular este olhar e o cuidado com os lugares por onde passamos, não só artísticos, mas aqueles com os quais convivemos no dia a dia", adianta Rios, que estará com a arquiteta Tatiana Francisco e o filósofo Caio Cesar.
Para Miha Katani, artista plástica e ceramista, que integra a Associação Casarão do Chá, trata-se de uma oportunidade para aprofundar o conhecimento artístico. "Achamos a proposta muito interessante. O principal objetivo da Associação é trazer coisas de qualidade, que nunca foram feitas em Mogi, e não somente com artistas locais, mas, tentando trazer também pessoas de fora", destaca.
Celso Ledo Martins, arquiteto e professor universitário, será responsável pela montagem do exposição. "Nós faremos a diagramação das telas nos espaços juntamente com uma arte interativa de instalação. A gente vai trabalhar esta visão dos dois países, das duas culturas, criando uma ponte física entre eles. Será uma surpresa para o dia da inauguração do evento, mas a ideia é fazer conexões da arte da Europa e da visão do Brasil, estabelecendo uma relação semiótica entre os dois continentes", antecipa.
Para o profissional, a escolha do Casarão do Chá como sede do evento também é um marco importante. "Pela primeira vez teremos uma exposição praticamente internacional nascendo não nas capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo". Também participam da organização Marion Bremaud, artista plástica e gravurista; Marion Rivolier, cenógrafa e artista plástica, e Tula Moraes, artista plástica.
França
Após o fim da exposição em novembro, as obras seguirão com Ana Rafful para Paris, e devem ser expostas em janeiro do próximo ano na capital francesa. "Esta exposição só acontecerá em Mogi e em Paris. Sou curadora no Brasil, responsável pela escolha dos artistas, e disponho daquilo que eu faço, do meu estilo que é brasileiro, mas também francês, uma vez que meus estudos vêm de lá. A minha visão faz a ponte entre São Paulo e Paris", conclui. Para os trabalhos franceses, a curadoria é de Marion Boumans.