A Casa do Congado, entidade de salvaguarda do Reino de Congos de Mogi das Cruzes, encerra neste fim de semana o projeto "Mapeamento e o Resgate de Aspectos da Cultura Tradicional de Comunidades Afrodescendentes de Mogi das Cruzes", com o Seminário "Tradições do Congado Mogiano - Origens, Saberes e Heranças", nesta sexta-feira, às 20h30, no Teatro Vasques; e o lançamento do documentário "Reinado de Congos de Mogi das Cruzes", com direção Déo Miranda, às 15 horas, na Sala Wilma Ramos do Centro Cultural de Mogi das Cruzes.
Iniciado há dois anos em convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o projeto tem como finalidade o registro do Congado como bem imaterial e foi proposto pelo Crespial/Unesco, integrando 14 países da América Latina na pesquisa. A Casa do Congado de Mogi das Cruzes foi selecionada por meio do projeto desenhado pelo produtor cultural Déo Miranda, com o edital, com pontuação superior às entidades concorrentes.
O projeto foi elaborado entre os anos de 2014, 2015 e 2016 e já pode ser considerado um documento histórico do Reinado de Congos de Mogi das Cruzes, pois agrega o inventário local da Congada Mogiana, o importante acervo de entrevistas com os detentores de conhecimentos da cidade, um documentário e registros fotográficos que ficarão à disposição do IPHAN e posteriormente à consulta pública. O banco de entrevistas também contribuiu para o preenchimento do Inventário Nacional de Referência Cultural (INRC), com mais de mil páginas de levantamento de dados.
Para compor este trabalho de pesquisa, a coordenação da Casa do Congado envolveu mais de vinte pessoas no processo, incluindo os detentores de conhecimento e historiadores responsáveis pelo levantamento de dados, Jurandir Ferraz de Campos e Odair de Paula.
Segundo o historiador e coordenador da pesquisa, Odair de Paula, este projeto tem uma importância singular para a salvaguarda do Congado, que se apresenta como uma expressão cultural que tem origem no período das navegações e que mescla a diversidade cultural e religiosa de povos africanos, europeus e americanos. "O congado, que atualmente engloba o moçambique, a congada e a marujada se mostra como uma expressão cultural sincrética, poética, devocional e musical, contendo características que remetem ao passado, mas com novas peculiaridades, demonstrando a sua capacidade de reinvenção, já que as tradições se alteram conforme o tempo", destaca o coordenador.
O projeto trouxe à tona questões como a origem do congado de Mogi e concluiu que ele não surgiu a partir da década de 1950, com a migração mineira, já que Minas Gerais é o Estado do Brasil com o maior número de grupos e celebrações que cercam o universo congadeiro. Segundo Odair, a pesquisa revelou que o Congado no Alto Tietê é mais antigo, com referências que remetem ao final do século XIX.
Valorização
O projeto "Mapeamento e o Resgate de Aspectos da Cultura Tradicional de Comunidades Afrodescendentes de Mogi das Cruzes" aponta com otimismo para a salvaguarda do Congado Mogiano. E, ainda segundo o supervisor Déo Miranda, vai ajudar no processo que busca o reconhecimento da congada como patrimônio cultural.