Escrever cartas tem sido uma atividade cada vez mais remota, mas o ofício que começou em Lisboa, Portugal, antes do Descobrimento do Brasil, quando os escrivães ficavam em mesas postas ao longo da praça central para oferecer à população seus préstimos está sendo revivida em algumas estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), por meio do projeto cultural Ateliê de Memória e Narrativa, do coletivo Estopô Balaio.
Nesta quinta-feira, o programa volta para a Estação Itaquaquecetuba, na Linha 12-Safira. Os atores do coletivo escreverão cartas, das 10 às 13 horas.
Assim como na obra "O Auto dos Escrivães do Pelourinho", na qual os escrivães desenvolviam o seu ofício na Praça do Pelourinho Velho, região central de Lisboa, próxima à Ribeira, os integrantes do Estopô Balaio chegam com o coração aberto, dispostos a ouvir as histórias daqueles que têm amigos e parentes distantes ou, simplesmente, desejam fazer uma declaração para a mãe, o pai ou um grande amor.
Sem nenhum tipo de censura ou restrições, as cartas serão enviadas para qualquer local do Brasil ou do mundo, retratando qualquer tema, anseio ou pedido de ajuda. Junto à correspondência, também seguirá uma foto do remetente feita na hora com uma câmera Polaroid. A iniciativa lembra também a personagem Dora (Fernanda Montenegro), do filme "Central do Brasil", de Walter Salles.
Não importa que os Correios informem que o volume de correspondências por pessoas físicas diminuiu 70%, nem o e-mail e as redes sociais WhatsApp, Facebook, Instagram e outros avanços tecnológicos e suas incríveis ferramentas, a carta manuscrita ainda é um meio carinhoso de comunicação com as pessoas amadas - sejam elas mãe, pai, filhos ou amigos. Elas suavizam a saudade de pessoas que estão longe.