As músicas da montagem de "A Exceção e a Regra" foram fruto do pedido de Milton Feliciano, que escreveu as letras, e atualmente preside o Teatro Experimental Mogiano (TEM), a Miguel Colella Neto e Marco Antonio Nahum. Os dois foram passar férias na casa de praia da família Nahum, em São Francisco de São Sebastião, e "voltaram com a encomenda pronta", como conta Colella, afirmando que a sintonia entre eles foi perfeita.
A peça conta a viagem de um comerciante pelo deserto, acompanhado por um empregado, na tentativa de conseguir uma concessão de petróleo. Eles passam sede e a noite o empregado se aproxima com algo nas mãos. O patrão acredita ser uma pedra e, para se defender, mata o empregado, que só ia lhe oferecer água, com um tiro. O espetáculo segue com o julgamento do comerciante.
A montagem do TEM usou várias vozes femininas para contar a história de Bertold Brecht e para integrar o cenário. Uma delas foi a atriz Eládia Morales, que filha de um espanhol "muito bravo", contava com a ajuda da mãe para participar dos ensaios e apresentações do TEM. "Nós éramos uma família e foi muito bom fazer parte daquela montagem, que foi algo diferente. Fazíamos as vozes e também o rio, os cactos do deserto. Foi a minha primeira participação em uma peça de verdade e é inesquecível".
Alba Maria Ferreira Rossi tinha 16 anos quando participou do elenco de A Exceção e a Regra. "Naquela época o TEM unia a juventude que se achava a frente e era participativa. O teatro de Brecht era diferente, buscava a interação com a plateia, também era avançado e essa ebulição cultural, que estava por toda a parte, foi boa para minha formação. Além disso, o teatro me deu base para ser a professora que me tornei e que também enfrenta uma plateia", explica ela.
A também professora Regina Lúcia Moreira Gomes, fez parte do coro da peça e o papel de um guia de caravana. Ela recebeu o prêmio de Atriz Revelação no festival em que participaram na antiga Guanabara. Ex-modelo e com livre trânsito na sociedade mogiana dos anos 1960 e 1970, Regina Lúcia garante que hoje é livre por causa do teatro.