O TEM (Teatro Experimental Mogiano) comemora nesta sexta-feira os 50 anos da apresentação da peça "A Exceção e a Regra", de Bertold Brecht, uma das mais premiadas montagens do grupo desde a sua fundação. O elenco, dirigido por Armando Sérgio da Silva, conquistou o primeiro lugar do 4º Festival de Teatro Amador de São Paulo, em agosto de 1966, e obteve o primeiro lugar e os demais prêmios (Melhor Direção, Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Melhor Atriz, Sonoplastia, Iluminação e Maquiagem) do 3º Festival de Teatro Amador da Guanabara (hoje Estado do Rio de Janeiro).
Os 50 anos da apresentação da peça serão comemorados com um jantar por adesão no restaurante Apolo, em Mogi das Cruzes, nesta sexta-feira, a partir das 20 horas, com homenagens ao elenco original da peça e a participação de ex e atuais integrantes do grupo. As adesões podem ser feitas na página TEM 50 anos de Arte, no Facebook ou pelo celular 99639-1220.
Também em 1966, o grupo apresentou a peça em quatro noites, no Teatro Maria Della Costa, sendo aplaudido de pé por uma plateia que contava com a presença do então governador Laudo Natel, e dos autores e diretores Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Décio de Almeida Prado.
Na mesma época, os integrantes foram convidados por Guarnieri para uma peça que ele estava montando no teatro de Arena. Em Mogi, o TEM apresentou "A Exceção e a Regra" no palco da antiga Faculdade de Direito Braz Cubas, então localizada na rua Francisco Franco.
Primeiros passos
Depois de terem a peça "Tiradentes Em Tempo de Inconfidência", de Milton Feliciano, atual presidente do TEM, totalmente censurada, o grupo aceitou a sugestão de Antonio Benetazzo, líder estudantil e artista plástico morto pela ditadura em outubro de 1972, que integrava o grupo nos anos 1960. Foi ele quem deu uma tradução portuguesa da peça de Brecht, autor então desconhecido de todos do TEM.
Como Armando Sérgio já tinha o costume inconsciente de representar de olho na atuação dos companheiros do grupo, observando como trabalhavam, foi indicado para dirigir o texto brechtiniano. "Estava de férias e comecei a colocar no papel, usando o sistema Arena, as ideias especialmente do cenário. Como não sabia dirigir atores, minha direção foi mais uma concepção cênica, a montagem de um cenário com humanos. A moda da época era a op arte e suas abstrações em preto e branco e usei isso", lembra o diretor e professor em uma entrevista concedida ao blog tem50anos.wordpress.com.