Um palhaço que tem a sua rotina alterada ao deparar com um espectador em seu camarim. Este encontro entre o palhaço Careta, nome de guerra de José, e Benvindo, um vendedor de sapatos, faz com que ambos questionem a vida e a sua própria existência. Este é o ponto de partida da tragicomédia "Palhaços", escrita por Timochencco Wehbi, na década de 1970, e que nesta quarta-feira, volta ao palco do Teatro Vasques, em Mogi, encenada pelo Teatro Paulista dos Estudantes (TPE). Os ingressos custam R$ 20, com meia-entrada para estudantes. O Vasques fica na rua Dr. Corrêa, 515, largo do Carmo. A apresentação anterior foi no dia 14 de julho. No dia 25 de junho, o grupo esteve no Centro Cultural de Mogi. Mais informações com Walter Netto pelos telefones 99952-0937 (Vivo).
Espirituoso, o espetáculo faz uma ácida crítica à sociedade, opondo o palhaço profissional ao palhaço da vida. David Pradal interpreta Careta, e Walter Netto vive Benvindo. A direção é de Rodolfo Médici de Souza, que juntamente com Walter dirige a companhia teatral TPE. O vendedor de sapatos, aspirante a gerente, invade o camarim do circo após a última apresentação. Ele vem cumprimentar o palhaço, de quem é fã.
Na conversa, as histórias de um e de outro vêm à tona, revelando as distâncias e as proximidades existentes entre eles. Toda a história acontece dentro desse camarim, antessala para o palco ou para o picadeiro que é o mundo na dramaturgia de Wehbi.
Os personagens enfrentam-se ferozmente pelo controle da arena. A cada momento, um dos personagens parecer dominar a cena quando um pequeno gesto do outro furta a atenção e, consequentemente, o poder do ato. Inserido nesta relação dos personagens, o público avança rumo ao desfecho que pode acontecer ou não, de forma nua e crua. Um grande desafio para os intérpretes.
Exclusivamente após a apresentação de hoje, o TPE fará um diálogo de 30 minutos com o público, abrindo espaço para perguntas ou colocações. Na ocasião, também, será gravado um DVD pelo cinegrafista Marcos Perrin para que o grupo apresente em outras etapas, como temporadas fora de Mogi e festivais nacionais. Segundo eles, o espetáculo tem sido um sucesso.
Autor
Wehbi nasceu em 1943 e morreu em 1986. Para o TPE, ele foi um dramaturgo extremamente significativo e contundente, transgredindo a sua época. Estava inserido na era da contracultura, em um momento de ebulição na sociedade. "Devido a esta vasta sabedoria de Timochencco, e aos seus 30 anos de falecimento, pensamos em homenageá-lo com esta maravilhosa obra", afirma o grupo.
A história do espetáculo é inspirada em uma vivência do autor. Quando criança, o dramaturgo se encantou com um palhaço de um circo mambembe que visitava a cidade onde ele morava, no interior paulista. O que mais o intrigou no personagem de nariz vermelho, responsável por roubar o riso da plateia, foi o fato de que ele se acomodava embaixo do palco para soprar o texto ao artista da vez, e, lá, fora de vista, chorava escondido. Quando o circo retornou, Wehbi correu para rever o artista. Em meio à tristeza dos colegas de picadeiro, ficou sabendo que ele havia tirado a própria vida.