Quando criança, o dramaturgo Timochenco Wehbi se encantou com um palhaço de um circo mambembe. O que mais o intrigou no personagem de nariz vermelho, responsável por roubar o riso da plateia, foi o fato de que ele se acomodava embaixo do palco para soprar o texto ao artista da vez, e, lá, fora de vista, chorava escondido.
Passado um tempo, o circo retornou. Em meio à tristeza dos colegas de picadeiro, ficou sabendo que o palhaço havia tirado a própria vida. Inspirada no acontecimento, a tragicomédia "Palhaços", escrita pelo autor na década de 1970, narra a história de um palhaço que tem a sua rotina alterada ao deparar com um espectador em seu camarim.
O grupo Teatro Paulista dos Estudantes (TPE) traz o espetáculo para o palco do Centro Cultural de Mogi hoje, ás 20 horas. Os ingressos custam R$ 20, com meia-entrada para estudantes. Mais informações podem ser obtidas com o diretor do TPE, Walter Netto, pelos telefones 99952-0937 (Vivo) ou 94150-3978 (WhatsApp). 
No palco, o encontro entre o palhaço Careta, nome de guerra de José, e Benvindo, um vendedor de sapatos, faz com que ambos questionem a vida e a sua própria existência. Espirituoso, o espetáculo faz uma ácida crítica à sociedade, opondo o palhaço profissional ao palhaço da vida. David Pradal interpreta Careta, e Benvindo é vivido por Walter Netto, que dirige o TPE, juntamente com o diretor do espetáculo Rodolfo Médici de Souza.
O vendedor de sapatos, aspirante a gerente, invade o camarim do circo após a última apresentação. Ele vem cumprimentar o palhaço de quem é fã. Na conversa, as histórias de um e de outro vêm à tona, exibindo as distâncias e as proximidades existentes entre os dois homens. Toda a cena se dá dentro desse camarim, antessala para o palco ou para o picadeiro que é o mundo na dramaturgia de Timochenco Wehbi.