Para a atriz e diretora Priscila Nicoliche, o teatro possui a vocação de tocar a vida das pessoas de alguma maneira, às vezes, bela, e outras, cruel. A expectativa é que o espetáculo "Medea (I)material" mexa com o público que comparecer nesta sexta-feira, às 20 horas, ao Centro Cultural de Mogi das Cruzes, localizado na praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, 360, centro. A entrada é gratuita.
O espetáculo parte do mito de Medeia, a partir do texto "Medea Material", do dramaturgo alemão Heiner Muller. "Muller tinha uma visão bastante politizada sobre o período em que viveu, ainda na época das Alemanhas divididas", conta a atriz. Segundo ela, para este trabalho o ponto de partida foi também a questão dos refugiados sírios, fazendo relação com a história e a atualidade, pois Medeia tornou-se estrangeira após a fuga de sua terra natal.
No palco, apenas uma atriz, a própria Priscila, que trabalha na peça uma construção corporal utilizando dança e "perfomatividade" para compor uma obra que fale ao homem de hoje. "Essa é uma característica do Grupo Quântica Teatro Laboratório, que produz o espetáculo, e esse ano completa 12 anos de existência, mas que, de 2011 para cá, fez coisas menores e se dedicou a alguns projetos", explica. A atriz revela que "Medea" marca o retorno do grupo e, principalmente, dela aos palcos. "Neste período, eu me dediquei às aulas, estudos e direção de outros trabalhos fora do Quântica".
Sobre a expectativa do retorno, Priscila espera que este momento seja marcado pela emoção. "É sempre um encontro que emociona, poder falar por meio da arte sobre questões que nos tocam com profundidade. Acho que ser artista aqui ou em qualquer lugar é sempre uma questão de resistência, de conseguir sobreviver acreditando, trabalhando com algo que é em parte concreto, mas também volátil. Mesmo com dificuldades, eu não trocaria por nada", afirma.
"Medea (I)material" faz parte do cronograma do IV Festival de Arte Popular do Alto Tietê, que acontece nas cidades da região desde o dia 1º de abril e vai até o dia 7 de maio. "O convite foi ultra bacana porque, no meu ponto de vista, a curadoria foi muito sensível ao propor que peças que têm linguagens e textos muito contemporâneos e que, erroneamente, são tratadas muitas vezes como difíceis, possam compor um festival de arte popular. Essas iniciativas agregam muito na formação de público e dão oportunidade de mais artistas mostrarem seus trabalhos", destaca a atriz.
A direção e interpretação do espetáculo é da própria Priscila, que contará com a participação de Qadis Taha. Juh Coutinho é responsável pelo som da peça, que é produzida pelo Grupo Quântica. Confira mais sobre a programação do festival no site www.malungadapc.com.
Carreira
Priscila Nicoliche tem o teatro como profissão desde 1995, mas ainda criança criou uma forte ligação com a "segunda arte", como ela classifica. A atriz participou de grupos de teatro da região, e fez dois anos de aula de dança contemporânea com Danielle Bittencourt.
Entre suas referências, estão Oscar Wilde, Franz Kafka, entre outros. Em 2004, fundou o Grupo Quântica, pesquisando dança-teatro, considerando-se pioneiros nesta linguagem no Alto Tietê. Hoje, o grupo conta com 14 espetáculos montados.