Crianças e adolescentes brincam uns com os outros o tempo inteiro. Mas a linha que separa as brincadeiras inocentes de agressões psicológicas e, por consequência, a prática do bullying, é bem tênue. No ano passado, a Escola Estadual Professor Adhemar Bolina, em Biritiba Mirim, passou por uma situação crítica nesse sentido, de acordo com os próprios alunos. Foi então que o Grêmio Estudantil Inovação resolveu intervir com o Seminário da Paz.
A atividade foi proposta pela professora mediadora da época, Mônica Pimentel Quintanilha, que pediu para que os alunos preparassem um seminário para falar sobre temas como bulliyng, cyberbullying e drogas. "Nós passamos de sala em sala durante uma semana para conversar com os alunos. Fizemos cartazes e levantamos os temas que nós tínhamos, explicando como funciona e o porque que não é legal manter essa prática dentro da escola", explica Natália Melissa, na época presidente do grêmio. Para ela, essa ação levou para os alunos um conhecimento que vai além dos muros da escola.
A recepção dos estudantes que assistiram às palestras realizadas pelo grêmio foi muito positiva, melhorando significativamente a questão do bullying dentro da unidade. O também integrante da chapa, Matheus Venâncio, lembra que na época eles precisaram cancelar um campeonato que estava sendo promovido pelo grêmio. "O seminário certamente ajudou a mudar o momento crítico que estávamos passando na época. Eu acho que é função do grêmio despertar nos alunos essa consciência, assim como é função do professor incentivar as aulas de Filosofia, Sociologia; e um dever da direção, dos pais e da sociedade como um todo", ressalta.
Para Renata Lemes, o resultado positivo veio porque o aluno encara de uma outra forma as ações propostas pelo grêmio. "O aluno vê e escuta de uma maneira diferente quando um professor fala, e quando um aluno da idade dele fala sobre o mesmo assunto. Até o comportamento dos estudantes dentro da sala de aula mudou, em questão de respeito, melhoraram muito", completa.
Este foi um dos objetivos do Seminário da Paz, o corpo a corpo com os alunos. "Fizemos muitas pesquisas, desenvolvemos um seminário muito próximo dos alunos. Alguns até levantaram algumas ações interessantes, como, por exemplo, compartilhar experiências de vida, tivemos um retorno muito bom", finaliza Venâncio.
Em 2016, o grupo pretende realizar um projeto semelhante abordando questões sobre homossexualismo e outros temas pôlemicos presentes na apostila do quarto bimestre do 3º ano do Ensino Médio.