As equipes "caça-fraude" da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) intensificaram as ações e o número de irregularidades nos primeiros quatro meses deste ano foi 112% maior, passando de 349, em 2015, para 742 nas cidades de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Salesópolis, Suzano e nos bairros da divisa de Mogi das Cruzes. Isso significa que foram feitos, em média, seis flagrantes de furto de água por dia.
O volume desviado foi de 40 milhões de litros, suficiente para abastecer 3,7 mil pessoas durante um mês inteiro. A companhia cobra retroativamente a tarifa pela água furtada e pelo esgoto coletado. Além disso, o responsável pela fraude responde por crime de furto e pode pegar até oito anos de detenção. O prejuízo estimado foi de R$ 327 mil.
A maioria foi registrada em residências, mas também há casos em imóveis comerciais, industriais e de economia mista. No entanto, os desvios em comércios geram um gasto muito maior de água por causa do tipo de consumo. A violação de hidrômetro e as ligações clandestinas foram as principais ocorrências.
Em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, a Sabesp faz operações conjuntas com a polícia, para casos em que o fraudador impede a fiscalização e para prender os autores, que vendem a adulteração a moradores, comerciantes e indústrias.
A ajuda da população também é muito importante. Até abril foram recebidas 17,2 mil denúncias de casos suspeitos pelos telefones 195 ou 181 (Disque-Denúncia). "A fraude prejudica toda a população. Quem comete o crime não se preocupa com o desperdício, pois acredita que não irá pagar pelo alto consumo. É comum entre fraudadores deixar torneiras abertas e não consertar vazamentos", afirma o superintendente de Auditoria da Sabesp, Marcelo Fridori.
Durante todo o ano passado, a Sabesp detectou 2.351 fraudes nas cidades do Alto Tietê, número 136% maior do que as 997 irregularidades constatadas em 2014. Foram registrados 25 boletins de ocorrência e o volume desviado de água chegou a 365 milhões de litros, recuperando R$ 3 milhões com a cobrança retroativa deste montante.