O movimento contrário ao governo de Getúlio Vargas, a Revolução Constitucionalista de 1932, que completa hoje 90 anos, é considerada uma das maiores lutas armadas do Brasil. Foram 87 dias, com início no dia 9 de julho e terminando em 4 de outubro. De acordo com historiadores, o ato foi de extrema importância para a elaboração da Constituição promulgada em 1934 e contou com a participação de Mogi das Cruzes. 

Segundo o professor universitário, historiador Mário Sérgio de Moraes quando a revolução de 1930 caiu, se colocava uma esperança muito grande em Getúlio Vargas de que um panorama mais democrático e com tendências populares. "Não foi isso que aconteceu. A revolução de 30 centralizou o poder, embora os coronéis da República Velha tivessem tido uma grande queda neste período. Controlando o poder, foi suspenso o Poder Legislativo, havia censura à imprensa, os governadores eram excluídos pelo poder central e sequer havia uma Constituição" apontou Moraes, que também é autor do livro "Nova história de Mogi das Cruzes", publicado pela editora Mogi News. 

"São Paulo, que até então vinha deitando e rolando no resto no Brasil na República do Café com Leite, perdeu o poder, e nesse período, arrumou uma brecha para protestar contra o Getúlio, de um lado de maneira correta, pois pedia a Constituição, mas de outro com interesses antirrevolucionários. Era uma tentativa saudosista de resgatar o poder. A proposta da revolução de 1932 de pedir uma nova Constituição e ter um avanço democrático era correta, mas por baixo dos panos, era uma tentativa da elite paulistana de retomar o poder", completou o professor.

Segundo o também professor, historiador e diretor de Patrimônio e Arquivo Histórico da Secretaria de Cultura e Turismo de Mogi das Cruzes, Glauco Ricciele, documentos relatam a participação de 251 mogianos na disputa contra as tropas de Vargas. Destes, quatro faleceram em batalha: Diogo Oliver, Fernando Pinheiro Franco, Jair Fontes de Godoy e José Antônio Benedito. 

Ricciele destacou a participação dos voluntários mogianos. "A porcentagem maior de voluntários era de operários e comerciantes, também tinha professores e bancários. Eles foram com o intuito de fortalecer o contingente paulista que, quando foi declarada a revolução, ficou sozinho. O Estado do Paraná falou que ia ajudar e não ajudou. Todos os outros Estados que delimitam o Estado de São Paulo foram contra São Paulo. As tropas federais se uniram a todos os outros Estados, os que estavam mais fortes eram Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os mogianos tinham o intuito de segurar a frente do Vale do Paraíba" ressaltou.

O esforço dos voluntários foi ressaltado por Ricciele: "Demonstra como em todos os momentos da história mogiana o quanto nós temos o patriotismo, a luta pela liberdade e pelos direitos sociais. Isso está intrínseco na história de Mogi. A cidade participou de diversos outros movimentos que, hoje podemos evidenciar em termos de história, são de nível nacional".

Moraes salientou a importância dos mogianos no conflito. "A luta no sentido teórico era justa, como você vai ter um país sem Constituição? Ela tinha uma aparência liberal, mas uma alma regressista. Esses voluntários devem ser homenageados, são pessoas que deram a vida por uma causa", destacou. A influência política da região, porém, era mínima, segundo ele, visto que o principal político da época, Deodato Wertheimer, fora derrotado, junto ao Partido Republicano Paulista (PRP) ao qual pertencia, na revolução de 1930. As cidades também não tinham a densidade demográfica de hoje, portanto, não tinham notoriedade na política. 

*Texto supervisionado pelo editor.