Estes profissionais enfrentam o inimigo de perto. Segundo a auxiliar técnica de enfermagem da Santa Casa de Mogi, Patricia Siqueira dos Santos, de 44 anos, o emocional é o fator que a todo momento está sendo testado. “É uma situação triste ver os pacientes daquela forma, ainda mais sem poder ver a família durante um momento tão complicado. Se não tiver emocional, você desaba”, disse.
Para Patrícia, o momento mais tenso que ela presenciou durante a pandemia foi a morte do socorrista Cícero Romão de Souza, 51, seu colega de trabalho. Segundo ela, isso acabou agravando o temor pela exposição ao vírus. “Eu volto para casa pensando no vírus e trabalho pensando no vírus, não tem como descansar sem se preocupar com uma possível contaminação”, contou.
Uma profissional do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes (HMMC), que não quis se identificar, explicou que já teve diversas recaídas emocionais durante a pandemia, por causa da extensa jornada de trabalho. “Não consigo dormir direito mais, têm dias que eu acordo chorando só de pensar no meu plantão e na minha família, que pode ser exposta ao vírus, por qualquer descuido meu”, alertou.
O diretor do Sindicato dos Enfermeiros de São Paulo, Rodrigo Romão, apontou a falta de moradias disponíveis aos profissionais de saúde, que querem preservar os familiares. Segundo ele, o sindicato vai protocolar um documento pedindo à Prefeitura de Mogi que garanta moradias provisórias aos profissionais durante a pandemia. (N.T.)