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Como parte da programação do Junho Verde, o evento "Piquenique com Ciência" foi realizado sábado passado, no Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Melo, e promoveu um debate sobre a importância das abelhas e do processo de polinização desenvolvido na natureza. O evento contou com a participação de alunos e professores do curso de graduação em Ciências Biológicas da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), além de convidados e do público em geral.
O diretor da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, André Miragaia, explicou que as principais ameaças às abelhas são a supressão de seus habitats naturais e o uso excessivo de agrotóxicos. "A programação do Junho Verde é variada e conta com eventos de vários tipos, desde ações de campo, como plantio de árvores, até debates e reflexões como esta, que é de grande importância para o meio ambiente", explica.
O evento de sábado contou com as presenças das professoras Vivian Schimidt e Maria Santina, da área de Biologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), que destacaram o bom público presente: "Nossos alunos e os interessados presentes puderam ter uma visão ampla dessa questão que envolve os polinizadores nessa região importante de Mata Atlântica e de produção de alimentos na região", observaram.
Também participaram do debate a vereadora Fernanda Moreno, a coordenadora de Desenvolvimento Rural Sustentável da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Dayla Ciancio, e a especialista na criação racional de abelhas nativas, Maria Gabriela Silva.
As abelhas são insetos sociais responsáveis pela polinização de 80% das espécies vegetais, o que corresponde a 35% da produção mundial de alimentos no mundo. Apesar dessa extrema importância, as abelhas têm sido extremamente ameaçadas pelo uso de agrotóxicos e fragmentação da vegetação. A fragmentação altera a paisagem natural e, consequentemente, diminui os recursos utilizados pelas abelhas, colocando em risco a biodiversidade dos biomas, como a Mata Atlântica. O lugar do encontro foi justamente em um dos celeiros de conservação da biodiversidade da Floresta Atlântica, que é a Serra do Itapeti.
O Distúrbio do Colapso das Colônias (CCD) já é uma realidade nos Estados Unidos e em alguns países europeus. Nos EUA, os números são alarmantes. Na década de 1940, dados apontavam a existência de 5,9 milhões de colônias de abelhas. Em 1998, esse número caiu para 2,5 milhões. No Brasil, existem relatos de declínio e perda de colônias, especialmente nos estados de São Paulo e Santa Catarina. A principal vítima é a espécie mais abundante, a Apis melífera, também conhecida como abelha europeia, mas as espécies nativas do Brasil também estão em risco.
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