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Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a Secretaria Municipal de Saúde promoveu, na sexta-feira passada, o evento "Uma Reflexão sobre a Atenção à Violência no Âmbito do SUS", com a advogada Rosana Pieruccetti, presidente da ONG Recomeçar e do Conselho Municipal da Mulher, no auditório da Escola de Governo. O secretário municipal de Saúde, Francisco Bezerra, participou da abertura do encontro e ressaltou a importância do tema.
"Quero parabenizar a equipe que trouxe esse importante tema para o debate de hoje. É claro que essa data deveria ser lembrada somente com alegrias, flores e temas positivos, como as mulheres merecem. Mas, infelizmente, nossa realidade tem mostrado o avanço da violência contra as mulheres e nós, profissionais de saúde, precisamos estar atentos no olhar, no acolhimento, orientação e encaminhamentos qualificados", afirmou o secretário.
Na abertura, a coordenadora de Saúde da Mulher, Paula Mateus, apresentou um panorama da desigualdade entre homens e mulheres e o avanço de casos de violência doméstica no país. "Entre os anos de 2009 e 2012, o Brasil registrou 256.428 casos de violência doméstica, das quais 168.010 foram praticadas contra mulheres, das quais 120.961 casos tiveram atendimento ambulatorial e 42.120 evoluíram para internações", mostrou ela, ressaltando ainda que o Brasil ocupa atualmente o quinto lugar no ranking de feminicídio.
A palestra da presidente da ONG Recomeçar ganhou formato de roda de conversa e foi aberta para dúvidas dos profissionais presentes, como enfermeiras, psicólogos, médicos e outros profissionais das unidades de saúde que integram o SIS - Sistema Integrado de Saúde. "Trabalho há mais de 30 anos com mulheres. Tudo começou com um atendimento realizado a uma vítima de violência doméstica, para a qual conseguimos uma medida protetiva de afastamento do marido, mas que acabou morta por ele. Na época ainda não dispúnhamos da Lei Maria da Penha e nem de abrigos temporários", recordou.
Ao lado da assistente social Angélica Castro, Rosana falou sobre a rotina do atendimento prestado pela ONG Recomeçar e da casa abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos. Elas explicaram, ainda, a importância da rede de atendimento e da ação rápida no suporte às mulheres. "A escuta é qualificada, o acolhimento é sigiloso e as vítimas não podem sair sozinhas, para sua própria proteção. Outro cuidado muito importante é o atendimento realizado por equipe feminina, o que garante mais liberdade para que a vítima consiga se abrir", explicou a advogada.
O amplo debate sobre a violência contra as mulheres deve servir par qualificar ainda mais o atendimento nas unidades de saúde, além de auxiliar as vítimas que procuram atendimento na Rede de Saúde.
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