Mais de 150 professores da rede municipal de ensino de Poá foram afetados por uma decisão do Executivo de retornar às atividades na última sexta-feira por terem participado do movimento grevista entre os dias 6 e 22 de junho do ano passado. Os demais professores só retornarão na segunda-feira que vem.
Apesar disso, um grupo de 12 professores reverteu a situação na Justiça que suspendeu, provisoriamente, a redução do período de férias e garantiu o retorno às atividades na mesma data dos demais.
De acordo com o advogado do grupo, Kelsen Marcondes Porto, outro nove professores também acionaram na Justiça, mas não obtiveram sucesso. Ontem, Porto, junto com a advogada Regina Medeiros, apresentaram novo recurso para o segundo grupo. "Apenas esses 12 professores estão sem trabalhar, já parte dos outros nove não foi trabalhar na sexta-feira passada, que foi o dia marcado para o retorno. Após a decisão desfavorável eles solicitaram o abono da falta que lhes são de direito, mas retornaram ao trabalho anteontem", disse Porto.
Para Porto, a atitude da administração municipal é impensada. "Acho que não faz o mínimo sentido, pois, o processo que a prefeitura deu entrada na Justiça para discutir a legalidade da greve ainda não foi julgado, porém, já havia descontado os dias faltosos nos salários dos professores após a greve, e no final do ano, passado deram essa ordem absurda, descontando novamente os dias do pagamento das férias", ressaltou.
Questionada sobre a prefeitura informou que a Secretaria de Educação irá recorrer da decisão, porém "cumprirá o que for determinado".
Intermédio
Os advogados Porto e Regina fazem parte do movimento social "Reaja Poá" e durante a greve, participaram de reuniões entre os professores e o governo. Ao divulgarem a decisão favorável do grupo de 12 professores foram criticados por servidores. "O grupo de 12 contemplados, assim como o segundo grupo de nove, nos procuraram e por isso apenas eles foram citados. Porém, a greve não foi apenas dos professores, houve servidores de outras categorias também", apontou Porto. Ele também afirmou que o processo não foi feito gratuitamente. "Nós fomos procurados e prestamos nossos serviços de maneira profissional, nada em nome do movimento e não teríamos como fazer nada em nome de todos por conta própria, pois não somos um sindicato e nem advogados de nenhum deles", finalizou o defensor.
A greve
Os servidores da Educação Poá decretaram greve no dia 6 de junho reivindicando o aumento dos salários e o reajuste do vale-alimentação.