Mogi das Cruzes contará com um Comitê Gestor Setorial para População em Situação de Rua. O grupo será composto por representantes de oito secretarias municipais, dos moradores de rua, além de entidades e sociedade civil. A informação foi divulgada durante reunião realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara para debater a situação do Largo Bom Jesus, na região central.
O encontro reuniu a secretária de Assistência Social, Neusa Marialva, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, o vereador Carlos Evaristo da Silva (PSD), os membros Iduigues Ferreira Martins (PT) e Pericles Bauab (PR), além de comerciantes da região do Largo Bom Jesus e representantes da sociedade civil.
A secretária afirmou que o comitê vai estabelecer políticas públicas voltadas para o atendimento das pessoas em situação de rua. “Essa articulação e diálogo é fundamental. Nós da administração municipal, por meio da orientação do prefeito Marcus Melo (PSDB), buscamos construir uma cidade em que todos estejam envolvidos em prol do seu cidadão. No comitê iremos conversar, refletir, buscar saída e alternativas. São estratégias necessárias para que possamos dignificar e melhorar as condições de atendimento deste público”, ressaltou.
O coordenador do Centro Pop, Osni Damasio da Silva, afirmou que o comitê deve ser implantado dentro de um ou dois meses. “Um dos objetivos do grupo, talvez o principal, é construir a política municipal para atender às pessoas em situação de rua envolvendo todas as secretarias”, destacou. Ele informou que a Prefeitura tem uma série de programas e unidades para atendimento deste público. Entre 2017 e este ano, 50 pessoas saíram das ruas e atualmente em torno de 20 estão no processo.
Durante a reunião, os comerciantes que atuam no entorno do Largo Bom Jesus apresentaram os problemas enfrentados e sugestões para solucionar a questão. Brigas, sujeira e danos ao patrimônio foram algumas das críticas apresentadas. Eles foram unânimes ao dizer que o grande ponto de conflito é a presença de usuários de drogas na praça e não dos moradores de rua, e que não buscam uma “política higienista”.
Os representantes dos comércios ressaltaram que buscam uma solução conjunta com a Prefeitura e sugeriram algumas ações, como a revitalização do largo, ocupação do espaço com barracas de alimentos, instalação de um ponto de táxi e de uma base da Polícia Militar ou Guarda Municipal, além da retirada do coreto. A ideia é instalar placas com o número de telefone dos serviços de Assistência Social para apoiar os moradores de rua.
O representante do Movimento Nacional de Pessoas em Situação de Rua, Wagner Souza dos Santos, afirmou que um dos grandes problemas enfrentados pela população de rua é a falta de unidades de tratamento contra a dependência química na cidade, além da dificuldade de encontrar emprego. Ele sugeriu que sejam criados programas, como de zeladoria de praças para empregar essas pessoas.
Etapas
O presidente da Comissão de Direitos Humanos afirmou que novas reuniões serão promovidas para discutir o assunto. Todas as sugestões e reclamações apresentadas no encontro serão enviadas ao prefeito. “Essa reunião foi para gente ter uma ideia do problema e do que fazer. Sentaremos com a comissão, as secretarias de Assistência Social, Segurança e Saúde para traçar a próxima etapa. Chamaremos todos para um novo encontro. Resolvendo o problema da praça vamos partir para outras ações, ela será o piloto dessa solução. Buscamos fazer um trabalho humanizado e com respeito”, acrescentou.