Os moradores da Vila Nova Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, organizaram para amanhã uma passeata até a Prefeitura. De acordo com a população, a manifestação terá a participação dos 500 moradores que serão afetados pelo pedido de reintegração de posse, feito pela Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). As famílias deverão sair de suas casas no próximo dia 5 e pedem para que adiem a medida.
Desde o começo do ano, os moradores fazem essa solicitação à Prefeitura. Um pedido foi feito ao prefeito Marcus Melo (PSDB), para que algo fosse feito e adiasse a reintegração, como informou a moradora e dona de casa Gerlane Germano da Silva, 36 anos. "Só queremos tempo até a construção das casas do programa 'Minha Casa, Minha Vida'. Algumas famílias da rua Equador já foram cadastradas. O nosso advogado tentou falar com a Prefeitura, mas nada foi feito", lamentou.
As famílias que estão cadastradas no programa serão transferidas para a Vila Nova Aparecida, em César de Souza. A previsão é de que os imóveis fiquem prontos em um ano. "Eu tenho seis filhos, estou separada e não sei o que fazer. Não tenho para onde ir. Muitas famílias aqui também estão sem destino. É muito triste essa situação", concluiu Gerlane.
A equipe do MogiNews questionou a Prefeitura sobre o pedido feito pelos moradores e, em nota, respondeu que "A Procuradoria-Geral do Município já se manifestou sobre o caso e não houve nova solicitação de posicionamento legal do município. Ao juiz, foi esclarecido que, pelos moldes tradicionais do programa Minha Casa Minha Vida, não é possível prestar atendimento habitacional aos moradores", informou.
O órgão ainda ressaltou que "a Prefeitura faz o acompanhamento do caso e é sensível à questão social envolvida, porém não é a autora da ação de reintegração, uma vez que trata-se de área particular", disse.
O local onde vivem cerca de 350 famílias pertence à CTEEP. De acordo com a empresa, os moradores vivem sob as linhas de transmissão de energia e esta medida "tem o objetivo de garantir a segurança da população, evitar acidentes e prevenir problemas na prestação do serviço público de transmissão de energia", comunicou.
O pedido de reintegração foi feito em 2014, mas os moradores conseguiram estender o prazo para quatro anos.
*Texto sob supervisão do editor.