O dia de ontem foi histórico. O Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região seguiu a decisão em primeira instância e manteve a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex do Guarujá e lavagem de dinheiro. Ainda cabe recurso da sentença, e caso o petista tente se candidatar à Presidência da República, provavelmente seu registro será impugnado pelo Ministério Público Eleitoral, ou por qualquer outro partido. E esse pedido será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), podendo chegar até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entretanto, culpado ou não, como defendem aliados e adversários, fato é que Lula é a primeira pessoa a ocupar o cargo mais importante do país que acabou sendo condenada por um crime. Soma-se a essa façanha, a proeza do presidente Michel Temer (PMDB), que foi formalmente denunciado por organização criminosa ainda no exercício do mandado. Essa situação também é inédita no Brasil. Trocando em miúdos, temos dois presidentes que estão em débito com a Justiça brasileira.
É hora de o país encarar os fatos e entender que precisamos de uma classe melhor de políticos, e precisamos de melhores eleitores também. Votantes que busquem saber quem estão escolhendo, conhecer a vida pregressa de seus candidatos, e dar o exemplo também para a comunidade em que vivem, no trabalho, em qualquer lugar. Os políticos também devem encontrar uma outra postura. Deixar de prometer o que não podem; parar de uma vez por todas com ideias populistas que, ao invés de fazer com as pessoas possam seguir sozinhas, fiquem para sempre atreladas às custas do governo.
Não queremos, com isso, dizer que programas como "Bolsa Família" sejam ruins, mas precisam ser aperfeiçoados, fiscalizados e, em alguns casos, vinculado o pagamento à busca do beneficiário por uma colocação no mercado de trabalho. Há muito ainda o que fazer. Essa pode ser apenas a primeira página de um extenso livro, porém a mudança deve ocorrer dos dois lados da urna. Como diz o ditado: não existe população corrupta e governo honesto. Um vem com o outro.