Os diretores dos Institutos de Nefrologia de Mogi das Cruzes e de Suzano, Rui Alberto Gomes e Silvana Kesrouani, estiveram em Brasília na última terça-feira para uma reunião com o ministro da saúde, Ricardo Barros, para reivindicar melhor remuneração do SUS (Sistema Único de Saúde) para os pacientes em hemodiálise e pelo fator de qualidade ONA. Há tempos, o setor sofre com a defasagem no repasse por parte do governo federal. A reunião foi intermediada pelo senador José Serra e pelo deputado estadual Estevam Galvão (DEM).
No dia 17 de novembro, Serra esteve no Instituto de Nefrologia de Suzano, em reunião com a diretoria da clínica, que já pedia atenção ao repasse de verbas e também levou um abaixo-assinado com 26.642 assinaturas de pacientes dialíticos e moradores do Alto Tietê, que não conseguem mais vagas na região e precisam viajar para outras cidades em busca de tratamento. Durante a visita, o político confessou que não pensava que a situação estava tão dramática e prometeu levar o pedido ao Ministério da Saúde, batalhando por melhorias para a área. Ontem, porém, o ministro afirmou que o órgão não pode arcar com todas as despesas sozinho. "Fomos muito bem recebidos em Brasília. Protocolamos nossa reivindicação, mas o ministro alega que o governo federal não tem como assumir o custo da hemodiálise. Ele acha que estados e municípios têm que assumir parte desse custo. Ou seja, ele jogou a responsabilidade para os gestores locais. Enfim, ficou de discutir mais o assunto na comissão respectiva do Ministério", revelou o médico Gomes.
Os Institutos de Nefrologia de Mogi e Suzano atendem 542 pacientes, sendo 300 em Mogi e 242 em Suzano. Segundo a diretora, Silvana Kesrouani, não há possibilidades de ampliação no atendimento por conta da defasagem no preço pago pelo governo federal. A médica conta que, nos últimos quatro anos, o reajuste foi de apenas 8,4%. "Hoje recebemos em torno de 10% de um salário mínimo. O dissídio dos colaboradores subiu mais de 50% e, nesse período todo, tivemos menos de 20% de correção da inflação. O número de renais crônicos está aumentando, principalmente por causa de diabetes, hipertensão, obesidade e também o aumento da expectativa de vida da população. Para isso, as clínicas precisam de mais vagas e, para manter tudo isso, precisamos de ajuda", destaca.
O deputado Estevam, bem como o senador Serra, participaram da audiência. Estevam falou sobre a grave dificuldade que o Estado enfrenta com o atraso nos pagamentos e valores defasados há mais de 10 anos. "O reajuste da tabela SUS é urgente e necessário. Não só o Alto Tietê, mas todo o Estado e o Brasil sofrem com a diferença entre o repasse SUS e o custo real dos procedimentos. Temos fila de espera para a diálise e as clínicas de nefrologia não suportam mais arcar com o prejuízo mensal", apontou o deputado.