Ninguém duvida que é nossa função, como servos de Deus, fazer a obra de Deus, trabalhar pelo reino, junto com outros membros da igreja do Senhor, para que o reino de Deus seja expandido. Isso é bíblico. Porém, muitos têm exagerado em seu trabalho a ponto de deixarem suas famílias de lado, jogadas para escanteio, para darem algumas migalhas de atenção a elas. Com a ideia de que estão servindo a Deus retiram-se totalmente de seu lar, deixando-o totalmente à deriva. Seria essa a vontade de Deus? Veja, segundo o presbítero André Sanchez da Igreja Presbiteriana Bela Jerusalém, em Ribeirão Preto (SP), o que a Bíblia diz desse assunto.
1) Negligenciar a família é um pecado grave. A Bíblia é clara quando orienta que a família de um servo de Deus deve ser cuidada de forma cuidadosa; chega ao ponto de chamar aqueles que negligenciam o cuidado com o seu lar de piores que os descrentes: "Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente", 1 Timóteo 5:8. Para Sanchez, isso nos indica, claramente, que se um servo de Deus negligencia aspectos importantes de seu lar (mesmo que seja por causa de trabalhos da igreja) têm agido incorretamente diante de Deus. "De forma alguma Deus nos manda sacrificar o cuidado com nosso lar para que a obra Dele cresça", alerta.
2) O corpo de Cristo não é só você. Alguns servos de Deus, destaca o presbítero, sofrem da "Síndrome do Messias". Essa síndrome está presente em pessoas que acham que elas são as salvadoras, ou seja, sem elas nada funciona. Esse é o caso de muitos servos de Deus que até com boa intenção querem estar em todas as programações, participar de tudo, no entanto, acabam com isso trazendo destruição para o seu lar e para sua missão dentro de casa! Esse tipo de pessoa acha que, se ele não estiver, o culto não acontece.
3) Nada vale o fracasso de seu lar. A família é a célula-mãe criada por Deus. Isso significa que Deus em Sua palavra sempre valoriza a família e a tem em grande importância e sendo grande bênção na vida de uma pessoa (Salmos 127).
4) Você precisa de tempo para cumprir o seu papel no lar. Sanchez lembra que cada ente dentro do lar, tem um papel que é dado por Deus. Pais, filhos, marido e esposa, entre outros. Mas, como exercer esses papéis se você tem programações da igreja para participar de segunda a segunda? Certamente, por exemplo, esse marido que participar de forma desequilibrada das obras da igreja irá negligenciar o relacionamento com a esposa, não terá tempo nem energia para ela. Irá ser um pai ausente também e fazer seu filho odiar a obra de Deus que tira 100% de seu pai de casa o tempo todo. Um pai que faz tudo para a igreja, mas nada em sua casa, em seu lar, pelos seus entes queridos, está precisando rever seus conceitos. Ou seja, um pai que não cumpre o seu papel no lar, mesmo indo todos os dias à igreja, tem sido infiel para com sua missão diante de Deus. Daí a necessidade de equilíbrio nas prioridades da família e da igreja. Deixar de participar de certas programações de forma pensada para cuidar da família em muitos momentos é necessário e essencial.
5) Ativismo religioso não é a mesma coisa que fazer a obra de Deus. Muitos têm se confundido na obra de Deus, achando que ativismo religioso, ou seja, ficar correndo de um lado para o outro, se enchendo de atividades é fazer a obra de Deus. Ativismo religioso nada mais é que que preencher o tempo com atividades religiosas que nem sempre significa que você está fazendo a obra de Deus. Quantas pessoas, por exemplo, entram em diversos ministérios apenas para "tapar um buraco" mesmo sem ter qualquer dom naquela área? Isso é ativismo religioso. "Quantos frequentam a igreja de domingo a domingo apenas por achar que precisam estar presentes em tudo? Isso é ativismo religioso! Quantos não conseguem tirar uma única folga para se dedicar a família de forma completa porque tem o tempo todo tomado por programações? Isso é ativismo religioso! E ativismo religioso não é fazer a obra de Deus, é fazer uma obra humana achando que é para Deus", considera Sanchez.
Por isso, finalizo dizendo que é importante pensar no equilíbrio entre as prioridades e não as confundir. Entre a escala de ordem de prioridades vem Deus, família, trabalho e só depois igreja. Não tenha medo de dizer não.