Na região, o trabalho informal dos vendedores de rua sustenta muitas famílias há mais de dez anos. Cidades como Mogi das Cruzes e Suzano possuem projetos diferentes para regularizar os trabalhadores. A equipe do Dat conversou com vendedores ambulantes das duas cidades para saber sobre os desafios da profissão.
A vendedora informal de doces e chicletes Margareth Gonçalves tem 46 anos e há três mudou-se com a filha de Recife, em Pernambuco, para Mogi das Cruzes. A viagem teve o intuito de conquistar uma vida melhor no Alto Tietê. Em Suzano, ela trabalha com uma barraquinha próxima à estação de trem e é cadastrada pela Prefeitura, com autorização para realizar o seu serviço.                     
Margareth conta que a sua rotina começa às 6 horas da manhã e que sempre surgem novos desafios ao longo do dia. "Diariamente, às 10 horas, tenho que mover a minha barraca sozinha para o centro da avenida, porque o fiscal não deixa mais ninguém ficar ao lado do terminal, onde é mais seguro", explica.
Segundo a comerciante, na avenida Vereador João Batista Fitipaldi, onde trabalha, o perigo é constante. "Eu tenho que ter cuidado com movimento dos carros. Vou falar com os motoristas quando o sinal está fechado, e tenho que prestar muita atenção para não ser atropelada", acrescenta.
Para ela, a maior dificuldade é conseguir convencer as pessoas a comprar os seus produtos. "As pessoas compram comigo porque sabem que estou desempregada e dependo disso, então, querem ajudar", relata Margareth, que, apesar das dificuldades, acrescenta que o mais importante é não desistir e continuar trabalhando em busca de novas oportunidades.
A decisão de se tornar comerciante informal pode ser resultado da falta de oportunidades de emprego com carteira de trabalho assinada, por exemplo. Dados divulgados este ano pelo IBGE mostram que apenas em outubro, em todo o Estado de São Paulo, a taxa de desemprego diminuiu 0,7 ponto percentual, de 14,2% para 13,5%. Estes índices podem apresentar melhorias para o mercado atual.(I.G.)