Promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPSP) e Polícia Militar estiveram ontem na Prefeitura de Mogi, cumprindo mandados de busca e apreensão previstos na primeira fase da Operação Ouro Verde, que trabalha para desarticular um grupo criminoso que desvia recursos da área da saúde.
A ação foi deflagrada em Campinas, onde se apurou, segundo o Ministério Público (MPSP), que um grupo por trás da Organização Social (OS) Vitale, responsável por administrar um hospital da cidade, utiliza a entidade sem fins lucrativos para obter indevida vantagem patrimonial. Essa mesma OS faz a gestão da Unidade Clínica Ambulatorial (Unica), em Jundiapeba, por isso, a operação ter se estendido até Mogi e também em outras cidades do Estado, entre elas São Paulo, Santa Branca, Ubatuba, Bariri e Várzea Paulista.
Ainda de acordo com o órgão, a vantagem investigada é obtida pelo desvio sistemático de recursos públicos da área da saúde. Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão. Em Campinas, um homem ligado à Vitale, que administra o Hospital Ouro Verde, foi preso. Em sua casa, foram apreendidos documentos e também dois carros importados dos modelos Ferrari e BMW.
A Polícia Militar também encontrou R$ 1,2 milhão na casa de um funcionário de carreira da Prefeitura de Campinas.
Questionada sobre a ação de hoje em Mogi, a administração municipal informou, por meio de nota, que "recebeu promotores de justiça, que cumpriam um mandado referente a uma investigação contra a organização social Vitale, no que tange ao trabalho realizado na cidade de Campinas".
Na cidade, a organização mantém contrato de gestão Única pelo valor de, aproximadamente, R$ 419 mil por mês. "Por isso, os promotores estão na cidade para verificação de documentos referentes a este trabalho", completou.
"A Prefeitura está colaborando com o Ministério Público, fornecendo toda documentação solicitada, e reitera que, caso qualquer tipo de irregularidade cometida pela Organização Social seja comprovada, o contrato será sumariamente rescindido", finalizou.
O secretário de Saúde de Mogi, Marcelo Cusatis, também comentou o caso. Em sua página nas redes sociais, ele afirmou que a "comissão criada na cidade, para acompanhamento e fiscalização das organizações que mantêm contrato com Mogi, ficou totalmente à disposição para que seja demonstrada a seriedade da auditoria mantida na cidade".
Ele completou que acompanhará toda a investigação, passo a passo.