A Reforma Protestante, que completou 500 anos na última terça-feira, é, sobretudo, uma proposta ética para os nossos dias.
O monge agostiniano e professor da Universidade de Wittenberg, na Alemanha, doutor Martinho Lutero (1483-1546), entendia a ética do trabalho como obra altamente moral, que melhora a qualidade de vida da pessoa e transforma a sociedade.
Ele enviou uma carta ao arcebispo Alberto de Mogúncia reclamando sobre a venda de indulgências. Indulgências são declarações de perdão concedidas pela Igreja e, segundo Lutero, não poderiam ser comercializadas. Escreveu as "95 teses contra a venda de indulgências", por meio da qual defendeu que o perdão dos pecados deveria ser anunciado, gratuitamente, mediante o sincero arrependimento da pessoa. O documento "viralizou" e se espalhou rapidamente pela Europa, dando início ao movimento conhecido como Reforma. O dia 31 de outubro de 1517 foi definido como o Dia da Reforma.
Um de seus pontos mais importantes foi a luta do monge alemão, Martinho Lutero, para que todos tivessem acesso à leitura da Bíblia, sem a necessidade de intermediários. Lutero traduziu textos bíblicos para o alemão e, com a invenção da impressão por Johannes Gutenberg, abriu-se a oportunidade de maior disponibilização da Bíblia.
Essa possibilidade levou muitas pessoas a buscarem a alfabetização, o que transformou o panorama da Europa e, na sequência, do mundo. E essa boa nova chegou até nós, por meio dessas mudanças.
Em outubro de 2017, a comemoração deste importante jubileu acontece em meio à conturbada situação política e social brasileira, quando os mais altos escalões do governo são acusados de corrupção; ele acontece em meio à profunda crise de transformação (perda) de valores; ela acontece em meio ao descrédito geral em relação às instituições.