"Meu irmão não era mais a vítima, e sim herói daquela situação". Foi assim que a enfermeira Daiane Aparecida Medeiras, de 32 anos, se referiu ao irmão, de apenas 22 anos, que faleceu em 2010 em um acidente de moto e teve quatro órgãos doados. Segundo ela, o ato de doar surgiu de forma natural por parte da família.
"Fiquei sabendo do acidente do meu irmão pelo meu pai, que me ligou e disse que ele estava sendo levado para o Luzia. Fui para lá, era madrugada e encontrei meu irmão no centro cirúrgico. Fui informada sobre o estado dele por um bombeiro, e, naquele momento, eu tive certeza de que ele não sairia do hospital com vida", explicou.
Daiane ficou incumbida da triste missão de dar a notícia da morte cerebral do irmão para os pais. "Quando eu expliquei a situação, minha mãe disse, antes mesmo que eu entrasse nesse assunto, que autorizava doar tudo que fosse possível do corpo dele. Foi uma decisão dolorida, mas natural da parte dela".
Fígado, pâncreas, rins, córneas e coração foram captados do jovem e doados. "Era um momento muito difícil para toda a família, mas não tinha nada mais que pudesse ser feito. Ele não viveria mais, não poderia ser salvo, mas poderia ser alguém, e foi nisso que nós nos apegamos naquele momento", relatou a enfermeira.
Daiane não sabe quais pessoas receberam os órgãos do irmão, mas afirma que o sentimento que fica é de saudade e orgulho. "Ele foi um herói. Dizia, quando estava cheio de vida, que, quando morresse, queria se tornar doador e foi o que fizemos. Ele conseguiu ajudar outras pessoas e nós ficamos mais conformados sabendo isso", concluiu. (C.M.)