Sem a visão em um dos olhos e com 20% a menos em outro, o técnico de Radiologia Fernando dos Santos está na fila do transplante de córnea há três anos, desde que foi diagnosticado com ceratocone, doença que afeta o formato e a espessura da córnea, provocando a percepção de imagens distorcidas.
O profissional, que é pai de três filhos, viu sua vida mudar em pouco tempo. "Não consigo mais dirigir, que é uma das minhas paixões. Ainda consigo trabalhar, porque minha sensibilidade é maior ao sol, mas é muito difícil para mim sair na rua de dia, caminhar ou até ir à praia".
A sua esposa, Priscila Souza, assumiu algumas funções do marido desde que ele descobriu a doença. "Hoje eu dirijo, levo meus filhos para a escola e ele para o trabalho, mas é muito difícil vê-lo assim, porque não sabemos como ele vai estar enxergando amanhã", explicou. "Vejo ele olhando as crianças e fico imaginando o que passa na cabeça dele, se ele tem medo de não conseguir mais enxergar os próprios filhos", detalhou.
Apesar de preocupada, Souza tem esperança de que logo receberá um córnea. "Sei que uma hora vou fazer o transplante e ter a minha vida de volta. Compreendo que, para a família que perde um ente querido, tomar a decisão de doar um órgão não é fácil, mas o trabalho de conscientização que está sendo feito aqui no Hospital Luzia de Pinho Melo e no resto do País é importante para que as pessoas entendam como esse processo funciona e como ele é importante para salvar vidas", completou. (C.M.)